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Wagner é alvo de nova operação da PF sobre caso Master

Wagner é alvo de nova operação da PF sobre caso Master

Por José Marques/Folhapress

18/06/2026 às 07:22

Atualizado em 18/06/2026 às 08:56

Foto: Erickson Araújo/Arquivo/Divulgação

Imagem de Wagner é alvo de nova operação da PF sobre caso Master

Jaques Wagner

A Polícia Federal cumpre 18 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (18) em nova fase da operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas a Daniel Vorcaro e o Banco Master.

Os mandados foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, e envolvem o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado.

Outro alvo é o empresário Augusto Lima, que foi sócio de Vorcaro no Master. Foram feitas buscas em endereços ligados a ambos em Salvador e em um hotel em Brasília onde Wagner mora.

Policiais Federais também estiveram em endereço em Salvador de Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner.

O senador foi procurado por meio da assessoria por WhatsApp, mas ainda não se manifestou. A defesa de Augusto Lima também foi procurada e não se posicionou até o momento.

É a primeira vez que a operação sobre o Master envolve pessoas próximas a Lula. Em fases anteriores, também foi investigado o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL).

Segundo a PF, são investigadas suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A PF também cumpre medidas cautelares na operação de proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.

Wagner é ex-governador da Bahia, e foi sucedido por Rui Costa, que foi ministro da Casa Civil de Lula. Em entrevista à Folha em maio, o senador falou sobre o Master e as relações do PT da Bahia com Augusto Lima.

"Tínhamos um trambolho [no governo do estado] que era uma rede de supermercado estatal, com um cartão de compras que estava dentro disso. Nós privatizamos. Fomos duas vezes para a Bolsa de São Paulo, deu vazia. A partir daí você tem o direito de fazer uma chamada pública na Bahia. Apareceu o Augusto Lima, que já trabalhava com cartão de benefício, sindicatos, etc., junto com um espanhol, e resolveram comprar. O Vorcaro entra nisso depois da venda. Nunca falei com ele sobre Cesta do Povo, nunca. Nunca falei com ele", afirmou.

Questionado se conhecia Augusto, ele disse: "Conheci na venda do negócio. Várias vezes eu conversei com ele, acaba-se tendo uma relação. É um baiano que se relaciona com muita gente."

De acordo com pessoas próximas a Lula, o presidente já questionou Wagner sobre as implicações do caso Master no PT da Bahia. O senador, ainda de acordo com essas pessoas, sempre minimizou envolvimento com o escândalo.

Augusto Lima teve ascensão meteórica no setor financeiro. A partir da criação do cartão consignado para servidores públicos, o Credcesta, em 2018, saiu da Bahia, fez parceria com o Master e levou seu negócio a 24 estados e 176 municípios.

Augusto Lima é dono do Banco Pleno, liquidado em fevereiro pelo Banco Central, o empresário Augusto Lima. A virada de seu principal negócio, o Credcesta, ocorreu durante a privatização da Ebal, estatal responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo. O processo foi conduzido por Jaques Wagner, à época secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia.

Depois que dois leilões ficaram sem interessados, Lima apresentou a Wagner uma proposta para tornar o negócio mais atraente: transformar o cartão de compras da Cesta do Povo em um produto que também oferecesse benefícios e serviços financeiros a servidores públicos.

O Master firmou parceria para oferecer o produto financeiro e, em maio de 2020, Lima se tornou sócio do banco de Vorcaro. Em maio de 2024, ele acertou a sua saída da sociedade.

Enquanto ainda estava à frente do Master, Lima foi ampliando as relações com o mundo político. Jaques afirma que, com o tempo, tornou-se amigo de Lima.

Na primeira fase da Compliance Zero, a Polícia Federal prendeu pela primeira vez o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior partindo de São Paulo, na noite de 17 de novembro. O sócio dele, Augusto Lima, também foi detido. Foram apreeendidos bens, incluindo o jatinho de Vorcaro, R$ 2 milhões em dinheiro vivo, relógios, joias e obras de arte.

Em janeiro, uma nova fase da operação mirou pessoas supostamente envolvidas em fraudes do Master por meio do uso de fundos de investimento, em um esquema bilionário de ciranda financeira para desvio de recursos e compra de ativos podres, como as chamadas cártulas, certificados de ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina).

Investigado por seu papel na tentativa de compra do Master pelo BRB e na compra de carteiras oferecidas pelo banco de Vorcaro, o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa foi preso em abril também na operação, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

No início de maio, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, foi o alvo de nova fase da operação sobre fraudes do Master, sob a acusação de receber mesada do núcleo de Vorcaro. Segundo documentos da investigação sobre o caso da fraude bilionária, o senador Ciro Nogueira recebeu ao menos R$ 6 milhões em mesadas do ex-dono do Master, entre 2024 e 2025.

Comentários
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3 Comentários

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RENATO BARBOSA

18/06/2026

05:38

Todos devem ser responsabilizados à medida das suas práticas. Tanto ACM NETO, como Wagner, se devem explicações, tem que fazê-las. Porém, não devemos jamais antecipar julgamentos sem lhes dar o amplo direito de defesa. Solidarizo-me tanto com um quanto com o outro (ou possíveis outros), no sentido de que tenham a oportunidade de defesa. No mais, é só lamentar tantas fatos atrelados a casos de corrupção como temos visto, e o povo brigando por políticos de estimação...
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ANDERSON

18/06/2026

05:32

FALTA RUI GROSSERIA,FALTA RUI CHEIO DE ÓDIO
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Duda Gomes

18/06/2026

04:51

Kd a novidade ?
E ainda teve a cara de pau de criticar Neto é mole? kkkkkkk
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