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Heineken traz brasileiro da indústria do café e do chá para ser o novo CEO global
Heineken traz brasileiro da indústria do café e do chá para ser o novo CEO global
Rafael Oliveira, que comandava a JDE Peet's, dona de Pilão, Caboclo e Pelé, assume cervejaria em outubro
Por Daniele Madureira/Folhapress
23/06/2026 às 19:30
Foto: Divulgação/JDE Peet's
O brasileiro Rafael Oliveira, 51, será o novo presidente global da Heineken
O brasileiro Rafael Oliveira, 51, será o novo presidente global da Heineken a partir de 1º de outubro. O anúncio foi feito nesta terça-feira (23) pela multinacional holandesa de bebidas, famosa pela cerveja de mesmo nome. Ex-presidente da JDE Peet's, gigante global de café e chá, Oliveira sucede Dolf van den Brink, que renunciou à presidência da Heineken em janeiro.
A nomeação chama a atenção por ser a primeira na história da cervejaria vinculada a alguém de fora do grupo. Desde que foi fundada, em 1864, em Amsterdã, a Heineken só foi comandada por pratas da casa, a maioria holandeses. O próprio van den Brink, que agora vai atuar como consultor na transição de comando para Oliveira, trabalhou 28 anos no grupo, os últimos seis no comando global.
A escolha por Oliveira indica a busca por renovação para lidar com a queda nas vendas de cerveja, um problema enfrentado por toda a indústria, diante das mudanças no comportamento de consumo. Pesam para este cenário o menor interesse de novas gerações por bebidas alcoólicas, a busca de um estilo de vida mais saudável pelo público em geral e até o uso de canetas emagrecedoras, que diminuem a compulsão.
Formado em economia pela PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), com mestrado internacional em administração de empresas pela Universidade de Chicago (EUA), Oliveira começou a carreira no mercado financeiro, antes de enveredar pela indústria de consumo. Estava há menos de dois anos no comando da também holandesa JDE Peet's, dona de marcas icônicas no mercado brasileiro, como Pilão, Caboclo e Pelé. Também fazem parte do seu portfólio as marcas de chá Pickwick, Mighty Leaf Tea e Tea Forté. Antes da JDE Peet's, foi um dos líderes da Kraft Heinz.
"Já morei em 8 cidades em 7 países, em 6 continentes, incluindo uma experiência enriquecedora como voluntário com minha família no Quênia", diz Oliveira, em sua página no LinkedIn. No país africano, trabalhou por quatro meses na Pharo Foundation, uma organização sem fins lucrativos financiada por um fundo de hedge focado em mercados emergentes, que tem a missão de promover o desenvolvimento econômico e a autossuficiência na África.
"Após crescer no Brasil, iniciei minha carreira no setor financeiro, onde passei quase duas décadas trabalhando com clientes em todo o mundo. Em 2014, em busca de um novo desafio, aceitei a proposta da Kraft Heinz e me mudei para a Austrália para liderar os negócios por lá. Nesse processo, aprendi sobre o poder das marcas e a importância de priorizar os consumidores", diz ele, no LinkedIn.
BISNETA DO FUNDADOR CASOU COM BRASILEIRO E FAMÍLIA COMANDA CONSELHO
O nome de Oliveira foi aprovado por unanimidade pelo conselho da Heineken, "por sua combinação única de visão estratégica, expertise operacional e perspicácia financeira", informou a empresa em comunicado. A previsão é que o brasileiro comande a cervejaria por um período limitado de quatro anos.
A Heineken é controlada pela família De Carvalho-Heineken, que detém participação majoritária e ocupa cinco dos oito assentos no conselho da holding. A principal acionista é Charlene de Carvalho-Heineken, 72, bisneta do fundador, Gerard Adriaan Heineken, única herdeira do pai, Freddy Heineken, falecido em 2002. Nesta época, Charlene herdou 23% das ações da multinacional.
Ela é casada desde 1983 com o brasileiro Michel Ray de Carvalho, 82, filho de diplomata brasileiro e mãe britânica. O marido e três dos seus cinco filhos —Alexander, 42, Louisa, 40 e Charles, 35— integram o conselho da Heineken.
O Brasil é o maior mercado do grupo Heineken no mundo —e o maior consumidor das marcas Heineken e Amstel. No país, a Heineken é vice-líder de mercado, atrás da Ambev, dona de marcas como Brahma, Skol e Stella Artois. Desde 2019, a Heineken Brasil é comandada pelo brasileiro Mauricio Giamellaro, mas outros brasileiros também têm ocupado posições de destaque na multinacional holandesa: Alex Carreteiro (presidente da Heineken Américas), Guilherme Cury Silva (Espanha) e Mauro Homem (Santa Lúcia/Caribe).
De acordo com o jornal inglês Financial Times, a busca por um novo chefe global para a Heineken foi conturbada, uma vez que o grupo teve dificuldades para decidir entre um candidato externo e um executivo interno que representaria uma opção mais conhecida. Dolf van den Brink deixou dois candidatos internos para sucedê-lo. Mas o conselho sentiu que eles não estavam prontos para o cargo.
Analistas disseram que a nomeação removeu a incerteza que pairava sobre a cervejaria. "Esperamos que Rafa construa sobre [a estratégia] em vez de reformulá-la, mas traga uma disciplina de execução mais afiada, uma perspectiva renovada sobre escolhas de portfólio e retornos de capital, e um engajamento mais ativo com os mercados de capitais", afirmou Ed Mundy, analista da Jefferies.
A Heineken quer cortar 7% de seu quadro global de funcionários e tem reduzido custos consolidando suas cervejarias europeias e fundindo operações administrativas em mercados menores.
As ações da companhia, que atualmente são negociadas a cerca de 73 euros (R$ 430,06), lhe conferem um valor de mercado de cerca de 40 bilhões de euros (R$ 235,65 bilhões). Os papéis caíram 30% nos últimos cinco anos, o que sinaliza um desempenho inferior ao de concorrentes como AB InBev, dona da Ambev, e Carlsberg.
