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Desembargador Maurício Kertzman defende garantia às cotas de gênero nas eleições 2026 durante XIV Fórum de Lisboa
Desembargador Maurício Kertzman defende garantia às cotas de gênero nas eleições 2026 durante XIV Fórum de Lisboa
Por Redação
10/06/2026 às 14:12
Foto: Divulgação
O desembargador Maurício Kertzman Szporer, magistrado do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e atual Presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), defendeu a contribuição do Poder Judiciário na garantia do cumprimento da cota de gênero nas eleições deste ano para aprimorar o sistema político, respeitando o princípio constitucional da separação dos poderes. O argumento ocorreu durante participação no XIV Fórum de Lisboa, em Portugal, no dia 2 de junho.
De acordo com Szporer, a intervenção do Judiciário em casos de fraude garante a participação feminina no Poder Legislativo. “Embora a autonomia partidária seja um pilar da nossa República, o reconhecimento da fraude à cota de gênero pelo Poder Judiciário impõe consequências expressivas, como a cassação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) e a declaração de nulidade dos votos obtidos pela agremiação partidária. E é fundamental recordar que a existência de cotas para candidaturas femininas foi uma decisão política do Poder Legislativo brasileiro”, afirmou o Presidente do TRE-BA, durante a palestra no painel “Aprimoramentos do sistema político e separação de poderes: Desafios da Representação e da Governabilidade”.
Na ocasião, o desembargador reforçou que o Congresso Nacional, ao longo das últimas décadas, optou por criar mecanismos de reserva de vagas para candidaturas femininas e ressaltou que a aplicação da ferramenta jurídica implica em prejuízo a todos os candidatos de um partido, tenham ou não participado da fraude, pondo fim a mandatos de pessoas eleitas em virtude de viabilidade eleitoral construída sobre uma base qualificada por ilegal. “Quando o Judiciário pune a fraude, ele está, na verdade, conferindo eficácia à vontade política expressa pelos representantes do povo, impedindo que a legislação se torne desprovida de força vinculante”, explicou o magistrado.
Autonomia partidária – Para reforçar a importância das cotas de gênero nas eleições, no final da apresentação, o Presidente do TRE-BA relembrou a aprovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2024, da Súmula nº 73, que explicita indícios caracterizadores da fraude à regra eleitoral que garante a participação feminina no pleito, no exame dos fatos e das circunstâncias do caso concreto, sendo eles: votação zerada ou inexpressiva, prestação de contas zerada, padronizada ou ausência de movimentação financeira relevante e ausência de atos efetivos de campanhas, divulgação ou promoção da candidatura de terceiros.
“Este ano, a classe política, adequadamente assessorada por profissionais especializados em Direito Eleitoral, conta com enorme número de precedentes a orientar decisões de consequências significativamente previsíveis. Quando forem escolhidas candidatas em percentual igual ou superior ao mínimo previsto na legislação, não se justificará qualquer interferência judicial, preservando-se a vontade popular expressa por meio dos votos”, concluiu o Desembargador Maurício Kertzman.
O encontro, organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), pelo Lisbon Public Law Research Centre da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL) e pelo Centro de Inovação, Administração e Pesquisa do Judiciário – FGV Justiça (FGV), começou no dia 1º de junho e reuniu, até o dia 3, acadêmicos, gestores(as), especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil organizada do Brasil e da Europa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. A finalidade é aprofundar o diálogo sobre os desafios impostos pela transformação tecnológica às estruturas políticas, culturais e econômicas no cenário global.
