/

Home

/

Noticias

/

Economia

/

Bolsas dos EUA renovam recordes com impulso da inteligência artificial; é hora de investir?

Bolsas dos EUA renovam recordes com impulso da inteligência artificial; é hora de investir?

Por Matheus dos Santos/Folhapress

15/06/2026 às 07:50

Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

Imagem de Bolsas dos EUA renovam recordes com impulso da inteligência artificial; é hora de investir?

Mesmo em meio à guerra no Irã e à apreensão nos mercados globais, as Bolsas norte-americanas têm renovado recordes

Mesmo em meio à guerra no Irã e à apreensão nos mercados globais, as Bolsas norte-americanas têm renovado recordes. Apenas em maio, os índices Nasdaq e S&P 500 renovaram as máximas históricas por 11 pregões cada, avançando cerca de 8% e 11% no acumulado do ano.

O desempenho dos índices reflete o entusiasmo dos investidores com empresas ligadas à inteligência artificial e à tecnologia. Apesar de impactos provocados pelo conflito no Oriente Médio, os resultados robustos das gigantes do setor têm sustentado o apetite por ações nos Estados Unidos.

O cenário segue influenciado por impactos do conflito entre EUA, Israel e Irã no Oriente Médio. Iniciado no fim de fevereiro, o confronto interrompeu o fluxo pelo estreito de Hormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados globalmente.

A interrupção do fluxo elevou preços da energia e do petróleo, ampliando temores de maior aceleração da inflação e levando bancos centrais a adotarem postura mais cautelosa e favorecendo investimentos em renda fixa. Autoridades dizem que o acordo firmado entre EUA e Irã, anunciado neste domingo (14), para encerrar a guerra reabriria o estreito de Hormuz.

O Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) manteve os juros entre 3,5% e 3,75% em abril pela terceira reunião consecutiva, e a perspectiva é de manutenção do atual intervalo por mais tempo.

Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a maior parte das apostas aponta para a manutenção da taxa de juros americana no intervalo entre 3,50% e 3,75% durante todo 2026. Em tese, taxas elevadas fortalecem a atratividade de investimentos de renda fixa, como os títulos do Tesouro norte-americano, e tendem a reduzir o apetite por ativos de risco.

O mercado de ações norte-americano, contudo, tem se mostrado resiliente com o impulso dos setores de tecnologia e IA, que têm demonstrado resiliência frente ao cenário adverso.

"Os investidores tentam olhar além do ruído de curto prazo gerado por esse conflito. Essas empresas não são tão impactadas por uma eventual alta dos juros e o foco continua sendo o micro: toda a revolução de investimentos que está acontecendo, a demanda forte e os lucros que essas companhias vêm entregando", afirma Marcela Rocha, diretora de investimentos (CIO) da Avenue.

Nos mercados globais, maio foi marcado pela temporada de balanços corporativos. Nos EUA, as big techs, que vêm ampliando investimentos em data centers e infraestrutura de inteligência artificial, divulgaram resultados considerados sólidos.

As ações da Microsoft subiram 8,64% em maio, impulsionadas pela forte demanda por serviços de inteligência artificial em sua divisão de computação em nuvem. As vendas da unidade cresceram 26% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 51,5 bilhões.

Outro destaque foi a Nvidia, cujos papéis avançaram 6,39%. A companhia tem sido uma das principais beneficiadas pela expansão global da infraestrutura de inteligência artificial, graças à demanda por seus chips utilizados em data centers.

Também se destacam outras empresas que se beneficiam indiretamente do avanço da IA, como Cisco, Micron e Intel, especializadas em infraestrutura de redes e semicondutores. As ações da Intel, por exemplo, acumulam alta de 211% no ano.

Rodrigo Santoro, head de renda variável da Bradesco Asset, destaca que os resultados do primeiro trimestre geraram uma confiança maior sobre os investimentos em IA. "Começamos a ver um efeito mais claro na receita e uma expectativa de crescimento maior. Isso afetou diretamente a receita das empresas que investem em nuvem, data centers e infraestrutura relacionada".

Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, também vê resultados expressivos. "As líderes globais de tecnologia mantiveram um ritmo acelerado de alocação de capital em infraestrutura e inovação. A diferença em relação aos trimestres anteriores é o lucro com produtos e serviços, que apresentou receitas consistentes."

O boom de IA tem inclusive acelerado empresas a abrir capital. A Anthropic, dona do Claude, e a OpenAI, do ChatGPT, travaram uma corrida tendo a NYSE, a Bolsa de Valores de Nova York, como linha de chegada.

Ambas veem os IPOs (oferta pública inicial de ações) antecipados como uma forma de influenciar a forma com que os operadores irão avaliar o setor e enfim consolidar seus CEOs, Dario Amodei e Sam Altman, respectivamente, como as principais vozes do mercado de IA.

Há ainda a expectativa em torno da SpaceX, cujo IPO na quinta-feira (11) foi o maior da história. A empresa de Elon Musk, avaliada em mais de US$ 2 trilhões após o primeiro pregão na sexta, poderá ter que esperar para entrar no S&P500, mas sua inclusão acelerada na Nasdaq 100 logo a tornará uma participação importante para fundos passivos e ETFs que acompanham o índice, criando uma nova fonte de demanda por suas ações.

Levará cerca de um mês para que ela seja adicionada a esse índice sob as novas regras de entrada rápida da Nasdaq, em contraste com a espera típica de até um ano.

VALE A PENA INVESTIR EM AÇÕES AMERICANAS?

O forte desempenho das Bolsas norte-americanas tem levantado questionamentos sobre o nível das avaliações das empresas e sobre a conveniência de investir em um momento de forte valorização dos ativos. Também pesa a instabilidade associada à condução da política comercial do governo Donald Trump.

Segundo Marcela Rocha, muitos investidores demonstram preocupação com os efeitos das políticas de Trump sobre o papel do dólar como reserva de valor e sobre a posição dos Estados Unidos na economia global. Ainda assim, ela avalia que o investimento no país continua sustentado por fatores estruturais.

"Embora a personalidade de Trump frequentemente gere volatilidade e incertezas de curto prazo, ela não tem sido suficiente para provocar rupturas estruturais no funcionamento da economia ou do sistema financeiro americano", afirma.

Rocha também destaca a ampliação das oportunidades de investimento. "Investir nos EUA é uma forma de aumentar o leque de possibilidades, adicionando geografias, setores e empresas que não estão disponíveis no mercado local. É uma oportunidade de complementar aquilo que o investidor já encontra no Brasil."

Colaborou Tamara Nassif

COMO INVESTIR NOS EUA?

  • BDRs (Brazilian Depositary Receipts): certificados negociados na Bolsa brasileira que representam ações de empresas internacionais. Permitem exposição a companhias globais sem a necessidade de abrir conta no exterior.
  • Investimento direto em Bolsas norte-americanas: compra de ações e ETFs listados nos Estados Unidos por meio de corretoras e plataformas internacionais.
  • ETFs internacionais: fundos negociados em Bolsa que replicam índices como o S&P 500 e oferecem diversificação entre empresas, setores e mercados.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.