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Secretário estadual da Fazenda leva políticos e fornecedores à loucura, por Raul Monteiro*
Secretário estadual da Fazenda leva políticos e fornecedores à loucura, por Raul Monteiro*
Por Raul Monteiro*
08/05/2026 às 08:16
Atualizado em 08/05/2026 às 13:46
Foto: Alberto Coutinho/Arquivo/GOVBA
Manoel Vitório
Não chamem para um mesmo jantar o secretário estadual da Fazenda, Manoel Vitório, e grande parte dos deputados estaduais e federais da base governista, colegas de administração, terceirizados, prefeitos, empreiteiros, empresários e fornecedores de maneira geral do governo Jerônimo Rodrigues (PT). É na conta dele que estes segmentos e outros que não querem ainda mostrar a cara colocam a - na falta de palavra melhor - crise financeira em que acreditam que o Estado mergulhou e que leva a administração a atrasar pagamentos à torto e à direito. Pior do que isso, acreditam que ele não está informando devidamente o governador sobre o que acontece em casa.
De fato, há no ar cheiro de crise financeira ou, se a opção for acreditar na oposição, de quebradeira. Prefeitos das mais distintas regiões talvez sejam, entre os agentes que reclamam ou se preocupam com a situação do Estado, aqueles mais sensíveis às dificuldades que uma máquina com problemas de rodar financeiramente apresenta. Eles dizem que o governador acertou o cronograma para liberar convênios para as cidades que dirigem e muitos deles estão sendo assinados com a promessa de início de obras e outras intervenções muito antes de outubro, mês das eleições. Mas não é a percepção de que o trem vai sair da estação que eles verdadeiramente têm.
Quando batem, por exemplo, nas portas de secretarias e órgãos do governo que seriam responsáveis pelas obras a única resposta que ouvem é a de que não há recursos para fazer simplesmente nada. Também não existe estimativa de quando o problema vai ser resolvido. Para convencer os representantes municipais de que falam a verdade, muitos gestores estaduais sacam relatórios confidenciais de seus computadores capazes de comprovar o que relatam: são os números das dívidas que enfrentam em suas respectivas pastas e com as quais estão sendo obrigados a conviver, junto com o desânimo que costumam provocar em quem tem interesse em executar.
Se a discussão é transposta para o grupo dos deputados federais, por exemplo, os sinais parecem ainda mais desesperadores. Alguns deles estão horrorizados com o desaparecimento, na secretaria dirigida por Vitório, de recursos liberados pelo governo federal oriundos de emendas parlamentares. Ao invés de dirigir os recursos diretamente a municípios, grande parte deles foi convencida pelo governo estadual a repassar o dinheiro à máquina estadual a fim de ajudar na operação de secretarias e outros órgãos capazes de contratar obras. O problema é que o dinheiro não chega às pastas, apesar de a administração federal comprovar que repassou a grana.
Quando recorrem ao secretário, o que poderia se transformar em esperança vira desespero. Além da dificuldade para acessá-lo, invariavelmente ouvem respostas evasivas de que tudo vai se resolver. Aqueles que conseguiram conquistar a simpatia de um subalterno seu de prenome Adriano às vezes têm melhor sorte. O rapaz muitas vezes consegue despachar pedidos que estavam há meses na gaveta de Vitório. Mas são solicitações de valor menor. O quadro descrito seria revelador, afinal, de quê? Mesmo com a quantidade de empréstimos autorizados pela Assembleia, o governo não está conseguindo colocar ordem na casa? Ou Vitório, sem trocadilho, está trabalhando pela derrota?
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
1 Comentário
Geni
•
08/05/2026
•
08:23
