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“Efeito Rowenna” pode explicar absenteísmo da base governista em votações na Assembleia
“Efeito Rowenna” pode explicar absenteísmo da base governista em votações na Assembleia
Por Carine Andrade, Política Livre
07/05/2026 às 21:15
Atualizado em 07/05/2026 às 21:21
Foto: Política Livre
Plenário da Assembleia Legislativa da Bahia
O que estaria por trás das duas derrotas sofridas pelo governo em menos de 30 dias, em votações de interesse do Executivo na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), pode ser o chamado “efeito Rowenna”. A avaliação foi feita por um deputado da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), em conversa reservada com este Política Livre.
Na última terça-feira (5), mesmo após mobilização da presidente da Assembleia, Ivana Bastos (PSD), e do líder do governo, Rosemberg Pinto (PT), a bancada governista não conseguiu reunir o quórum mínimo de 32 parlamentares para votar o regime de urgência do 24º pedido de empréstimo encaminhado pelo Executivo, no valor de R$ 5,5 bilhões, destinado à Embasa.
Com o pedido de verificação de quórum apresentado pela oposição, a sessão acabou frustrada, repetindo o cenário já registrado em outra votação recente e acendendo um alerta dentro da base aliada em pleno ano eleitoral.
“Existe sim uma insatisfação, isso é público e o próprio Política Livre já noticiou. A forma como foi conduzida a entrada de deputados na federação, numa decisão tomada de cima para baixo e ignorando os deputados que já fazem parte do grupo, é uma delas. Tivemos uma reunião recentemente com o secretário Loyola e a nossa bancada e a insatisfação foi geral”, afirmou um parlamentar da base.
Outro fator apontado é o fortalecimento político da ex-secretária estadual da Educação Rowenna Brito, vista internamente como uma das candidaturas prioritárias do grupo governista para deputada estadual em 2026. Segundo um deputado petista ouvido pela reportagem, o tema foi abordado em recente reunião de líderes na Assembleia.
“Simbolicamente, Rowenna é a candidata favorita de Jerônimo, mas politicamente ninguém afirma isso publicamente. Temos informações de que está havendo assédio a diretores, trabalhadores terceirizados e coordenadores de núcleos territoriais em várias regiões do Estado. O uso da máquina da Educação é evidente e as queixas estão chegando à Serin”, afirmou o parlamentar, sob reserva. Ele também completou que não concorda com o assédio aos trabalhadores, que são profissionais concursados.
Como mostrou este Política Livre na edição de quarta-feira (6), as mudanças promovidas no segundo escalão após a reforma administrativa do governo agravaram a tensão entre deputados aliados e lideranças do PT, sobretudo diante de reclamações sobre descumprimento de acordos políticos nos territórios e favorecimento de determinadas pré-candidaturas.
Questionado após a sessão da última terça-feira (5) sobre a possibilidade de haver parlamentares “jogando contra” o governo, o líder governista Rosemberg Pinto negou qualquer movimento de rebelião na base.
“Não acho que tenha alguém jogando contra. O governo tem a obrigação de formar maioria no plenário, a oposição fez o papel dela e usou o regimento. Nós temos que ter 32 deputados e deputadas presentes na sessão. Inclusive, vou conversar com o governador e com os parlamentares para entender as motivações, já que alguns estavam na Assembleia e não desceram para votar”, declarou.
