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Governo calcula que aumento de etanol na gasolina vai reduzir 454 milhões de litros em importação

Governo calcula que aumento de etanol na gasolina vai reduzir 454 milhões de litros em importação

Medida que aumenta proporção do biocombustível para 32% será oficializada nesta quinta-feira (7)

Por André Borges/Folhapress

05/05/2026 às 20:45

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo

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Posto de combustível

O aumento da mistura de etanol na gasolina, de 30% para 32%, previsto para ser chancelado nesta quinta-feira (7), vai permitir que as distribuidoras de combustível cortem a importação de 454 milhões de litros de gasolina no prazo de 180 dias, período em que vai vigorar a medida.

A estimativa faz parte de uma avaliação interna do MME (Ministério de Minas e Energia) obtida pela reportagem. Em termos de valores, o volume equivale a uma redução de cerca de US$ 340 milhões na dependência externa, o equivalente a cerca de R$ 1,8 bilhão em importações que serão evitadas, considerando o preço de paridade de importação mais recente.

A mudança na mistura da gasolina será oficializada durante a reunião extraordinária do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), que reúne membros de diversos ministérios e órgãos federais.

O plano do governo é elevar temporariamente o percentual de etanol anidro na gasolina, que hoje já é obrigatório, do chamado E30 para o E32, por um período inicial de seis meses, com possibilidade de prorrogação.

A medida faz parte das reações ao cenário internacional no mercado de petróleo, causado pela guerra no Irã. O custo de importação da gasolina subiu 61% desde o início do conflito, segundo estimativa da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

O preço de paridade de importação da gasolina calculado pela ANP passou de R$ 2,45 para R$ 3,95 por litro no período. A paridade de importação é uma simulação de quanto custa importar o combustível.

Com o uso de mais etanol, que é produzido internamente, a dependência de gasolina importada diminui, o que tende a assegurar o abastecimento nacional. Hoje, a gasolina importada representa uma média de 15% do consumo total no Brasil, segundo dados da ANP.

Nas contas do governo, a medida também deve ter impacto no preço ao consumidor. Como o etanol costuma ter custo menor que a gasolina, a mistura pode reduzir o valor final nos postos, aliviando a inflação.

O reflexo também deve ser sentido na área ambiental, com estimativa de redução de 552 mil toneladas de CO₂ durante o período de vigência da medida.

O governo fez testes com misturas de até 32% de etanol em veículos leves e motocicletas, incluindo modelos que não são flex. Os estudos não identificaram impactos relevantes de desempenho, consumo ou dirigibilidade.

A avaliação, portanto, é que a frota atual consegue operar normalmente com o novo percentual de etanol.

A notícia era esperada pelo setor produtivo, que está com capacidade de produção suficiente para atender a demanda. A previsão para a safra 2026/2027 indica um crescimento na produção de etanol que permitiria atender à demanda adicional de 600 milhões de litros.

Nos bastidores, conforme informações obtidas pela reportagem, o governo já discute a possibilidade de avançar na mistura. Há estudos em andamento para testar a mistura de 35% de etanol (E35) a partir de 2027.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, na semana passada, que anunciará o aumento do percentual de etanol e biodiesel na mistura da gasolina e do diesel, respectivamente.

"Se quiserem descarbonizar o planeta, o Brasil é uma alternativa com combustível provado. Ainda nesta semana vamos anunciar mais. Sair de 30% para 32%, e sair de 15% para 16% nos biocombustíveis. E de 1% em 1% a gente vai convencer o mundo de que se alguém quiser inventar combustível renovável, não precisa gastar com pesquisa. Venha no Brasil que nós fazemos transferência de tecnologia", disse.

O governo debatia este aumento mirando formas de reduzir o impacto da disparada no preço do petróleo causada pela guerra.

As principais ações anunciadas pelo Executivo para mitigar os efeitos da guerra até o momento foram a redução de PIS e Cofins sobre o diesel e a oferta de subvenção para que estados também cortem no ICMS.

Associações que representam o setor de biocombustíveis intensificaram a pressão sobre o governo federal nas últimas semanas, com críticas à concessão de subsídios para importação de diesel fóssil, enquanto relutava em cumprir o índice de mistura de biodiesel produzido no Brasil. Cerca de 25% do diesel consumido no Brasil é importado.

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