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Leo Prates critica polarização política e explica ausência em votação do PL da Dosimetria
Leo Prates critica polarização política e explica ausência em votação do PL da Dosimetria
Por Carine Andrade, Política Livre
30/04/2026 às 21:00
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Arquivo
O deputado federal Leo Prates (Republicanos)
O deputado federal Leo Prates (Republicanos) comentou a derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei da Dosimetria, nesta quinta-feira (30), no Congresso Nacional, e explicou os motivos que o levaram a não participar da votação nos dois turnos.
A proposta, que reduz penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teve o veto presidencial derrubado por ampla maioria. Em sessão conjunta no Congresso, o placar foi de 49 votos a 24 no Senado e 318 votos a 144 na Câmara, com cinco abstenções. Essa foi a segunda derrota consecutiva imposta pelo governo depois da indicação frustrada do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista exclusiva a este Política Livre, Prates justificou sua ausência citando o ambiente político polarizado e a necessidade de preservar o diálogo. “É um ambiente extremamente polarizado. Eu aprendi que a boa política se faz com o diálogo, por isso que eu procuro conversar à direita, à esquerda, com o pessoal do PL. Todos têm o seu mérito, há sempre algo a ensinar. É minha visão de mundo. Como eu sempre digo, ‘eu não sou dono da verdade, mas eu tenho a minha verdade, a minha forma de enxergar o mundo’”, afirmou.
O parlamentar criticou o acirramento das tensões institucionais e demonstrou preocupação com o cenário atual neste momento pré-eleitoral, apontando conflitos entre os Poderes.
“Você tem aí uma guerra institucional: Senado contra Supremo, Supremo contra Senado; aí vem o Poder Executivo, o Poder Legislativo. Eu vejo com muita tristeza toda essa polarização, toda essa interferência de um Poder no outro”, completou.
Apesar de reconhecer pontos da proposta, o deputado afirmou que optou por não votar por entender que o tema envolve a autonomia entre os Poderes. “Eu não votei porque considero justas algumas premissas do que está sendo alegado. Eu acho que há determinados exageros e determinadas penas que foram executadas pelo Judiciário, mas eu não sou o Poder Judiciário. Eu acho que nós temos que exercer o poder das leis. Então, eu acho que tanto a interferência do Judiciário no Legislativo não é boa para a democracia quanto a interferência do Legislativo no Judiciário”, contextualizou.
Prates reforçou que sua decisão foi baseada na defesa da independência institucional e por não concordar com exageros. O deputado pregou, ainda, a harmonia entre os Poderes e reiterou que sua posição pode gerar críticas, mas está alinhada aos seus princípios.
“Eu posso ser crucificado, criticado agora, mas, para minha biografia, para meus netos, para meus bisnetos, não é assim que eu quero ser visto: como uma pessoa que, para justificar um erro, faz outro. Então, eu quero o país que eu sonho, o país em que os poderes se respeitam, respeitam suas funções. Nem o Judiciário legisla, nem os legisladores julgam”, frisou.
