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'É irresponsabilidade sem precedentes', diz presidente de associação de bares sobre mudança na escala 6x1

'É irresponsabilidade sem precedentes', diz presidente de associação de bares sobre mudança na escala 6x1

Dirigente da Abrasel, que reúne bares e restaurantes, espera que Senado mude a proposta do governo

Por Alex Sabino/Folhapress

25/05/2026 às 20:30

Atualizado em 25/05/2026 às 21:01

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Imagem de 'É irresponsabilidade sem precedentes', diz presidente de associação de bares sobre mudança na escala 6x1

Comissão Especial da Câmara dos Deputados sobre o fim da escala 6x1

O setor de bares e restaurantes já esperava a proposta do governo pelo fim da escala 6x1. Mas isso não significa que tenha ficado satisfeito com o acordo costurado entre o presidente Lula (PT) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

"É uma irresponsabilidade sem precedentes no país", afirma Paulo Solmucci, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), classificando a proposta como "eleitoreira".

Para a entidade, que representa um milhão de comércios que empregam seis milhões de trabalhadores, as mudanças na escala e na jornada semanal ignoram o histórico de produtividade do país.

"O Brasil levou 40 anos para ganhar 20% de produtividade. Agora vai ter de ganhar em um ano o que levou 20 para conquistar", completa;

O ganho de 10% de produtividade é o limite matemático para compensar a redução de jornada semanal de 44 horas para 40 sem perda salarial. O dirigente considera a meta irreal.

Embora considere a mudança uma evolução inevitável, a ANR (Associação Nacional de Restaurantes) reclama que a proposta não oferece flexibilidade, não reconhece as particularidades do setor e que o governo não esteve aberto ao diálogo.

"A gente foi ao Ministério do Trabalho [para tentar dialogar], mas o governo está em campanha. Não houve conversa", afirma Erik Momo, presidente do Conselho da ANR.

Ele lembra que o mercado é muito diverso e as alterações podem não impactar uma parte, mas serão muito sentidas por outra. Momo afirma que o restaurante está na final da cadeia e qualquer aumento dos insumos poderá ser repassado ao consumidor. Mas cada caso é um caso, algo que não teria sido reconhecido pelo governo.

A ANR representa cerca de 2.000 marcas de alimentação e 12 mil estabelecimentos comerciais.

Se aprovado, o fim da escala 6x1 deve ser feito em duas etapas, disse nesta segunda-feira (25) Hugo Motta. Primeiro, 60 dias após a promulgação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que trata do assunto, a jornada semanal máxima passará de 44 horas para 42 horas.

As duas horas restantes serão reduzidas 12 meses depois, levando a jornada semanal para 40 horas. O direito de os trabalhadores terem dois dias semanais de descanso também passaria a valer dois meses depois da promulgação da PEC. Depois da votação na Câmara, prevista para esta semana, a proposta ainda passa pelo Senado, onde precisa ser aprovada por 49 votos.

"Isso deveria ter um diálogo. Um restaurante que trabalha no almoço e no jantar pode se adaptar melhor mudando o horário da equipe. Mas vou te dar exemplo de um buffet que só serve almoço e os funcionários trabalham por quatro horas seis vezes por semana. Ele não vai ultrapassar a carga horária, mas trabalha seis dias e terá de receber uma folga", lembra Momo.

A proposta terá de passar pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

"A gente precisa, mais do que nunca, que o Senado seja a casa revisora", finaliza o presidente da Abrasel, mais indignado que seu colega da ANR.

"É uma proposta relevante, mas não leva em conta muitas particularidades do mercado", completa Momo.

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