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Brasil deve olhar para modelo de inflação do Fed, que exclui alimentos e energia, diz Alckmin
Brasil deve olhar para modelo de inflação do Fed, que exclui alimentos e energia, diz Alckmin
Vice-presidente afirma que juros são 'absurdamente altos' e volta a defender exclusão de itens voláteis na definição de taxa
Por Maeli Prado/Sylvia Miguel/Folhapress
04/05/2026 às 18:09
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil/Arquivo
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, voltou a defender nesta segunda-feira (4) que o Brasil deve olhar para o modelo do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, na hora de determinar qual medida de inflação perseguir.
"O problema que nós temos é essa taxa de juros absurdamente alta. Nós deveríamos verificar o modelo do Federal Reserve, que exclui energia e alimentação da análise da inflação para definição da taxa de juros", afirmou.
Alckmin fez referência às medidas de inflação utilizadas pelo Fed para sua meta de preços. Entre essas medidas, o banco central dos EUA monitora com atenção o núcleo do PCE (Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal), que exclui do cálculo itens mais voláteis, como alimentos e energia.
Em março do ano passado, o vice-presidente já havia defendido que a retirada dos preços de alimentos e de energia deveria ser estudada pelo Banco Central. "Eu acho que é uma medida inteligente a gente realmente aumentar o juro naquilo que pode ter mais efetividade na redução da inflação", defendeu na ocasião.
Alckmin fez o comentário durante evento na Câmara de Comércio Sueco-Brasileira nesta segunda, no lançamento da pesquisa Swedish Business in Brazil 2026. O levantamento apontou, entre as preocupações dos empresários suecos, os juros altos, a inflação e a instabilidade política.
O vice-presidente ressaltou ainda que a taxa de juros brasileira está em queda, ainda que pouco acentuada. "Era para estar numa queda mais acentuada, mas a guerra trouxe um fato que se sobrepôs. Nós não temos como parar a guerra, mas devemos minimizar os seus efeitos", declarou.
De acordo com Alckmin, a preocupação com os juros altos é uma das razões pelas quais o governo está otimista com o Desenrola 2.0, que foi lançado nesta segunda em Brasília.
"A taxa de juros é absurda, então o Desenrola é necessário. Vai ajudar as famílias, com a possibilidade de desconto de até 90%. Vai garantir juros mais baixos, de 1,99%, e atende também pequenas empresas", afirmou. Ao falar com os caminhoneiros, o governo lançou o Move Brasil, com R$ 21,1 bilhões em crédito. Estamos muito otimistas".
Além do Desenrola e da ampliação do programa Move Brasil, Alckmin mencionou como medida do governo para melhorar o ambiente econômico a redução dos impostos para o diesel e para energia.
A Câmara de Comércio Sueco-Brasileira divulgou pesquisa que mostra que 63% das companhias suecas que atuam no Brasil esperam elevar as compras de produtos de fornecedores europeus com o acordo.
