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Aécio diz duvidar da viabilidade do centro após articulação para lançá-lo ao Palácio do Planalto

Aécio diz duvidar da viabilidade do centro após articulação para lançá-lo ao Palácio do Planalto

Tucano chama Joesley Batista de 'verdadeiro filho do Lula' e diz que Flávio terá que explicar elo com Vorcaro

Por Folhapress

25/05/2026 às 22:00

Foto: Reprodução/X

Imagem de Aécio diz duvidar da viabilidade do centro após articulação para lançá-lo ao Palácio do Planalto

O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG)

O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) disse nesta segunda-feira (25) ter "muitas dúvidas" sobre a viabilidade de uma candidatura de centro à Presidência em 2026, mesmo após a articulação de seu partido, do Cidadania e do Solidariedade para lançá-lo ao Planalto.

A declaração foi dada em entrevista ao programa Frente a Frente, parceria entre o jornal Folha de São Paulo e o site UOL.

"Se você me perguntar se eu estaria disposto a liderar um projeto nacional diferente do que nós estamos vendo hoje, eu diria que sim. Se você me perguntar se eu estou preparado para conduzir esse processo, eu vou dizer que eu me preparei como poucos brasileiros ao longo dos últimos 40 anos. Mas se você me perguntar se esse projeto é viável, eu tenho muitas dúvidas", disse o presidente nacional do PSDB.

Aécio afirmou que "há uma movimentação", mas que "isso, para se transformar numa candidatura, ainda demora muito". "Eu não estou feliz, satisfeito e otimista em relação ao Brasil. Qualquer que seja o desfecho dessa eleição, eu acho que ainda vai manter essa polarização", afirmou.

A pré-candidatura de Aécio foi discutida em reunião na semana passada com os presidentes do Solidariedade, Paulinho da Força, e do Cidadania, Alex Manente, além da cúpula do PSDB. A ideia da federação PSDB-Cidadania é testar seu nome em pesquisas até o início das convenções partidárias, em julho. O ex-presidente do Cidadania Roberto Freire pediu publicamente o lançamento de sua candidatura.

A articulação ganhou força após o desgaste da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), revelada pelo Intercept Brasil em gravações nas quais o senador pede recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Antes, Aécio havia tentado lançar Ciro Gomes (PSDB) à disputa presidencial —o ex-ministro preferiu concorrer ao Governo do Ceará.

Em 2017, Aécio foi gravado por Joesley Batista, dono da JBS, em diálogo que envolveu pedido de R$ 2 milhões ao empresário.

A denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) sob acusação de corrupção passiva e obstrução de Justiça foi aceita pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2018. O tucano foi absolvido em primeira instância em 2022, pelo juiz Ali Mazloum, e em segunda instância em 2023, por unanimidade, pelo TRF-3 (Tribunal Regional Federal). Aécio sempre sustentou que o valor se referia a um adiantamento por um apartamento herdado de sua mãe.

Ele classificou a gravação como "armadilha" articulada por Joesley com Marcelo Miller, ex-procurador da Lava Jato em Brasília, com o objetivo de tirá-lo da disputa presidencial de 2018.

Aécio acusou o presidente Lula (PT) de manter "uma relação filial de pai para filho" com Joesley Batista.

"O verdadeiro filho do Lula é o Joesley Batista", disse. "Se o presidente Lula tivesse feito pelo Lulinha uma fração do que fez por Joesley Batista, o Lulinha não ia precisar ir andando de braço dado com Careca do INSS", afirmou, em referência a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e a Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como operador do esquema de fraudes no INSS.

Sobre eventual paralelo entre seu caso e o de Flávio Bolsonaro com Vorcaro, Aécio rechaçou a comparação, mas disse que o senador "vai ter que explicar essas questões".

Aécio afirmou ver "com tristeza" a trajetória do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), que deixou o PSDB e hoje é vice-presidente da República.

O tucano afirmou que Lula perdeu "uma grande oportunidade de fazer um gesto concreto na direção da pacificação nacional" no debate sobre a dosimetria das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Afirmou que desconsidera a possibilidade de anistia a quem atentou contra a democracia, mas avaliou como exageradas as penas aplicadas aos réus de participação considerada lateral. Disse ter atuado em articulação nos bastidores em defesa do projeto da dosimetria, ao lado do deputado Paulinho da Força.

Aécio defendeu ainda mandato fixo para ministros do Supremo Tribunal Federal, de 12 anos, inspirado na Suprema Corte alemã, com piso de idade para entrada. Disse desejar que todos os ministros tivessem a qualificação do ministro Gilmar Mendes.

Sobre o Legislativo, classificou como "exagero" o uso atual das emendas parlamentares, embora as reconheça como instrumento legítimo de atendimento às bases.

"As emendas têm que ser limitadas no seu quantitativo e elas têm que ser incorporadas a projetos apresentados pelo Poder Executivo, que é quem se elegeu para governar o Brasil. O Congresso não pode se autointitular também parte do grupo do Poder Executivo", disse.

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