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Preço do diesel subiu 20,4% nos postos do Brasil desde o início da guerra no Irã, aponta ANP
Preço do diesel subiu 20,4% nos postos do Brasil desde o início da guerra no Irã, aponta ANP
Preço médio do combustível na última semana foi de R$ 7,26, mostram os dados da agência
Por Helena Schuster/Folhapress
20/03/2026 às 18:30
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo
Posto de combustível
O preço dos combustíveis no Brasil está em alta há três semanas consecutivas, mostram os dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) divulgados nesta sexta-feira (20). Desde que começou a guerra no Irã, a alta foi de 20,4% para o diesel e de 5,9% para a gasolina.
O preço médio do diesel no Brasil era de R$ 6,03 na semana que se encerrou no dia 28 de fevereiro, mesmo dia em que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Na semana que se encerra neste sábado (21), o preço médio do combustível saltou para R$ 7,26.
A gasolina também subiu no mesmo período. O preço médio aumentou 5,9%, passando de R$ 6,28 na semana anterior ao conflito para R$ 6,65 nesta semana.
A disparada de preços no país reflete a crise global do setor de energia desencadeada pelo conflito no Oriente Médio. Desdobramentos da guerra, como ataques a instalações de petróleo e gás e a interrupção do tráfego no estreito de Hormuz —por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás— têm gerado turbulências no mercado internacional. O preço do petróleo Brent, referência global, já atingiu a marca de US$ 119 duas vezes desde os ataques começaram.
Na última semana, a alta de preços do diesel levou a um movimento de greve entre os caminhoneiros. No entanto, em assembleia realizada nesta quinta-feira (19), as lideranças da categoria decidiram não realizar a paralisação, mantendo diálogo com as autoridades, que têm se movimentado para tentar conter os efeitos internos da crise global.
Nesta sexta-feira (20), foi divulgada a tabela de preços do diesel para o programa de subvenção do governo Lula, que é uma das medidas criadas para enfrentar a crise. O subsídio para produtores e importadores faz parte de um pacote mais amplo de medidas, que também zerou o PIS e a Cofins do óleo diesel e instituiu um imposto de exportação de petróleo.
Além das medidas já assinadas, nesta semana o Ministério da Fazenda também propôs aos estados a isenção de ICMS sobre a importação de diesel, mediante uma compensação federal que cobriria 50% do impacto da medida. O custo é estimado em R$ 3 bilhões para a União e o mesmo valor para os estados, considerando dois meses de duração da medida.
A isenção iria até 31 de maio, com o objetivo de reduzir barreiras e garantir o abastecimento do mercado interno, diante de relatos de alguns estados sobre falta de diesel nos postos. Por isso, a ação seria direcionada apenas aos importadores do combustível.
A proposta da Fazenda, conforme apurou a reportagem, encontra mais resistência técnica do que política por parte dos estados, que são os responsáveis pelo ICMS, e os entraves são considerados relevantes.
