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Filho de Nunes Marques, com 1 ano de OAB, diz ter mais de 500 clientes e usa escritório da tia

Filho de Nunes Marques, com 1 ano de OAB, diz ter mais de 500 clientes e usa escritório da tia

Kevin de Carvalho Marques, com 25 anos, afirma que resolveu mais de 1 mil processos no 1º ano na profissão em site apagado

Por Vinícius Valfré/Estadão

21/03/2026 às 12:25

Atualizado em 21/03/2026 às 12:31

Foto: Reprodução/Instagram

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O advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do STF

O advogado Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria conquistado, no primeiro ano na advocacia, mais de 500 clientes e “resolvido” pelo menos 1 mil processos. O próprio Kevin anunciou o feito em seu site oficial.

A assessoria do advogado disse, em nota, que o site que foi ao ar era uma versão preliminar publicada por engano e que uma nova página será republicada assim que a construção estiver concluída. A nota não fez comentários específicos sobre o volume de clientes informado no site pelo escritório que só tem ele como único responsável. (leia mais abaixo).

Um desses clientes seria a Consult Inteligência Tributária, que pagou a ele R$ 281,6 mil entre 2024 e 2025 para atuação advocatícia “voltada ao fisco administrativo”.

Esse pagamento, feito em 11 transferências, foi mapeado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em um relatório sobre “movimentações atípicas” do Banco Master.

A empresa de consultoria que fez pagamentos a Kevin Marques, recebeu, no mesmo período, R$ 6,6 milhões do Master, de Daniel Vorcaro, e outros R$ 11,3 milhões da JBS, dos irmãos Batista.

Em nota, a assessoria de Kevin Marques reafirmou que ele nunca recebeu recursos do Master e da JBS e “a relação existente é fortuita, uma vez que Kevin advogou para uma consultoria tributária que tinha essas duas empresas entre seus diversos clientes”.

No período em que a Consult recebeu recursos do Master e da JBS, e pagou Kevin Marques, o ministro Nunes Marques era o responsável, no STF, por uma das maiores brigas empresariais dos últimos anos. De um lado, a J&F, controladora da JBS. Do outro, a estrangeira Paper Excellence, da Indonésia. Ambas disputavam o controle da Eldorado Celulose.

O conflito começou depois da Paper comprar uma fatia da Eldorado em 2017. O processo de transferência foi interrompido por alegações da J&F de que a compradora não liberou garantias financeiras no prazo correto. A disputa virou uma guerra jurídica e econômica que envolveu alguns dos principais advogados do País.

O caso foi encerrado em maio de 2025, quando houve um acordo para a J&F pagou US$ 2,7 bilhões à Papper, cerca de R$ 15 bilhões, para ficar com todas as ações da Papper.

Procurado, o gabinete do ministro Nunes Marques informou que “o processo citado foi encerrado após a celebração de um acordo entre as partes envolvidas, que optaram pela desistência da ação”.

Em nota, a JBS disse que “como toda grande empresa brasileira que lida com a complexidade do sistema tributário nacional”, contrata consultores “para apoiar sua atuação nessa área, entre eles a Consult Inteligência Tributária”. O Master foi procurado, mas não comentou.

O escritório do filho do ministro

O endereço profissional de Kevin Marques é a casa mais moderna da quadra onde está localizada, no Lago Sul de Brasília, um dos bairros de mais alto padrão da cidade.

O imóvel foi construído após a chegada de Nunes Marques ao STF, empossado em 5 de novembro de 2020. O espaço começou servindo a irmã do ministro, a também advogada Karine Nunes Marques, que abriu escritório de advocacia em Brasília em setembro de 2021.

Hoje, sobrinho e tia dividem o mesmo endereço profissional. A reportagem esteve na casa na tarde de quinta-feira, 19, e foi informada de que eles não estavam. A casa é vigiada por câmeras, tem seguranças e uma garagem que dá total privacidade aos carros estacionados.

O escritório de Kevin Marques foi oficialmente aberto em agosto de 2024, meses após a aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 29 de fevereiro daquela ano.

Em janeiro deste ano, ele tornou-se um dos advogados da Refit, a antiga Refinaria Manguinhos, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O pai era desembargador desse tribunal quando foi escolhido, em 2020, pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) para uma cadeira no STF.

A consulta processual do TRF-1 lista Kevin Marques em quatro processos da primeira instância e em outros seis da segunda. Os eventuais casos sob sigilo judicial não aparecem na pesquisa pública. Ele não atua no STF. Karine aparece atrelada a 51 processos, em ambas as instâncias do TRF-1.

A casa do Lago Sul serve ainda a outro filho de Nunes Marques, o advogado Karson de Carvalho Marques, irmão gêmeo de Kevin. O escritório dele foi registrado em agosto do ano passado, no mesmo endereço.

Em nota, a assessoria de imprensa dos Nunes Marques afirmou que os escritórios funcionam no mesmo endereço “por estratégia deliberada, uma prática legal, legítima e recorrente no Brasil e no mundo”, mas que “as empresas são independentes umas das outras e cada uma cuida de seu próprio negócio”.

Karine Marques também tem um escritório na Cidade Jardim, em São Paulo. O telefone de contrato da banca paulista é o de um escritório de contabilidade de Teresina (PI) de Francisco Craveiro Junior, dono da Consult.

As informações sobre a experiência do jovem advogado estão no site kevinmarques.com.br, que saiu do ar no ano passado. A página pode ser verificada por meio de bibliotecas digitais que preservam sites.

O filho do ministro se apresenta como advogado especializado em Direito Tributário e contabiliza clientes e processos.

“Com um ano de experiência na OAB, tenho me dedicado a entender profundamente as complexidades do sistema tributário brasileiro, buscando soluções eficientes e personalizadas para cada cliente”, dizia a apresentação de 2025.

Em nota, a assessoria de Kevin Marques afirmou ainda que o advogado considera as informações publicadas sobre os recursos que recebeu como uma tentativa de criminalizar o exercício da advocacia, atividade lícita e legítima, e de atacar o trabalho de seu pai no STF. “Kevin não defende nem nunca defendeu nenhum caso no STF e no TSE”.

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