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Empresa recém-aberta de filho de Lira recebeu pagamento de R$ 250 mil da J&F
Empresa recém-aberta de filho de Lira recebeu pagamento de R$ 250 mil da J&F
Assessoria de Lira afirmou que filho prestou serviços de publicidade e marketing à empresa e disse que ele possui ‘diversos clientes corporativos’
Por Aguirre Talento/Gustavo Côrtes/Vinícius Valfré/Estadão
21/03/2026 às 14:00
Foto: Reprodução/Instagram
O deputado federal Arthur Lira (PP-AL), com o filho dele, Arthur Cesar Pereira de Lira Filho
Uma empresa aberta recentemente pelo filho do deputado federal e ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), recebeu pagamento de R$ 250 mil da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, pouco depois da constituição da empresa.
A transação foi considerada como “atípica” em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtido pelo Estadão. Um dos motivos do alerta do Coaf para esses pagamentos é que não envolvem fornecedores com atividade econômica compatível com a da J&F.
Procurada, a assessoria de Lira afirmou que seu filho prestou serviços de publicidade e marketing e possui “diversos clientes corporativos” (lei mais abaixo).
A J&F Participações afirmou que todos os pagamentos que faz se referem “a produtos ou serviços comprovadamente prestados, mediante emissão de nota fiscal e recolhimento de todos os tributos devidos” (leia a íntegra abaixo).
Os registros da Receita Federal apontam que a Archon S/A, pertencente a Arthur Cesar Pereira de Lira Filho, foi aberta em maio de 2025 com capital social de R$ 100 mil. O Coaf detectou que o pagamento de R$ 250 mil da J&F ocorreu entre fevereiro de 2025 e outubro de 2025, logo depois que a empresa foi aberta. O documento não cita uma data exata.
O relatório de inteligência financeira destaca que o filho do ex-presidente da Câmara possui apenas 26 anos e, segundo os dados do Coaf, tem residência registrada em Maceió. Mas a assessoria de Lira afirmou que ele já reside em Brasília há “quase dez anos”.
“Arthur Cesar Pereira de Lira Filho reside em Brasília há quase 10 anos e atua, há mais de 5 anos, no setor de publicidade e marketing, possuindo diversos clientes corporativos. Todos os pagamentos feitos a suas empresas são precedidos da emissão da respectiva nota fiscal e derivam de serviços regularmente prestados”, diz a nota.
Arthur Lira Filho tinha uma outra empresa do ramo de publicidade, que prospectou negócios em estatais durante o governo de Jair Bolsonaro. Ele tinha aquela empresa em sociedade com outra pessoa e, no ano passado, abriu um novo CNPJ para ficar à frente dos negócios.
A principal atividade econômica da nova empresa dele é de “Correspondentes de instituições financeiras”, de acordo com o cadastro na Receita Federal. As atividades secundárias são amplas e vão desde consultoria em publicidade, marketing direto a representante do comércio de jornais e holding de instituições não-financeiras.
Lira tem relações antigas com integrantes do grupo empresarial J&F. Como mostrou o Estadão, ele chegou a vender gado a um executivo do grupo em leilão organizado no ano de 2022.
A J&F entrou na mira da CPI do INSS depois de ter feito pagamentos a uma empresa de consultoria que tem como sócio oculto o empresário Danilo Trento, apontado como um dos beneficiários das fraudes a aposentados.
A JBS, uma das empresas da holding dos Batistas, apareceu na CPI do Crime Organizado porque a comissão mirou movimentações do Banco Master e encontrou pagamentos de ambos a uma mesma empresa de consultoria.
Outros pagamentos da J&F listados como atípicos pelo Coaf:
- O de R$ 25,9 milhões para a holding que comprou as cotas do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no resort que ele tinha no Paraná em sociedade com fundo ligado ao Banco Master.
- O de R$ 11,3 milhões para uma empresa de consultoria que pagou R$ 281,6 mil ao filho do ministro Nunes Marques, do STF. O relatório também apontou que a Consult Inteligência Tributária recebeu outros R$ 6,6 milhões do Banco Master.
- Um pagamento de R$ 25 milhões ao escritório de Ibaneis Rocha, em 2025, meses depois da celebração de uma parceria do governo do DF com o PicPay, banco digital do conglomerado.
Leia a íntegra da nota do grupo J&F:
Todo pagamento realizado pela J&F Participações se refere a produtos ou serviços comprovadamente prestados, mediante emissão de nota fiscal e recolhimento de todos os tributos devidos. Caso o relatório mencionado pela reportagem exista, configura um grave crime de quebra ilegal de sigilo bancário que as autoridades competentes têm o dever de investigar. A J&F mantém auditorias independentes que certificam e confirmam a governança e a retidão dos processos internos.
