Petrobras registra recorde nas exportações de petróleo em 2025
Volume vendido pela estatal no mercado externo cresceu 27% no ano, para 765 mil barris por dia
Por Nicola Pamplona/Folhapress
10/02/2026 às 21:30
Atualizado em 11/02/2026 às 00:22
Foto: Divulgação/SBM
Plataforma Almirante Tamandaré foi instalada pela Petrobras no campo de Búzios, no pré-sal
A Petrobras informou nesta terça-feira (10) que bateu recordes de exportação de petróleo em 2025. Na média anual, o volume exportado foi de 765 mil barris por dia, alta de 27% em relação ao ano anterior. No quarto trimestre, a marca chegou a 1 milhão de barris por dia.
O aumento das exportações reflete sucessivos recordes de produção de petróleo na região do pré-sal e levou o petróleo ao posto de principal produto da balança comercial brasileira pelo segundo ano consecutivo.
A produção de petróleo da Petrobras cresceu 11% em 2025, chegando a 2,3 milhões de barris por dia. Considerando a produção de gás natural, o número chega a 2,9 milhões de barris de óleo equivalente.
"Encerramos 2025 com resultados históricos", disse a diretora de exploração e produção da companhia, Sylvia Anjos. "Mesmo em um cenário de preços mais baixos, entregamos recordes de produção, superamos nossos guidances [metas] e reforçamos a resiliência do E&P [exploração e produção]".
Durante o ano, a companhia colocou em produção três grandes plataformas, incluindo a maior já instalada no país, Almirante Tamandaré. Em operação no campo de Búzios, a unidade superou sua capacidade prevista e produz 240 mil barris por dia.
Uma nova plataforma para o campo de Búzios, chamada P-79, chegou ao local onde será instalada nesta terça, ampliando a capacidade produtiva da Petrobras em 180 mil barris por dia. Ela é a oitava de doze plataformas projetadas para o maior campo de petróleo do país.
A aceleração da produção de petróleo com vistas à exportação é questionada por organizações ambientalistas. No fim de janeiro, um grupo de entidades recomendou ao governo que estabeleça patamares de produção compatíveis com o consumo nacional.
Elas argumentam que, ao produzir menos petróleo, o país pouparia reservas e eliminaria a necessidade de busca por novas fronteiras exploratórias, como a bacia da Foz do Amazonas, hoje a principal aposta da indústria brasileira do petróleo.
Na semana passada, a Petrobras informou que, mesmo produzindo volumes recordes de petróleo, conseguiu ampliar suas reservas em campos já conhecidos no litoral do Sudeste. Em 2025, a empresa descobriu 1,7 barril de petróleo para cada barril que produziu.
A geração de renda petrolífera, por outro lado, é argumento do governo para continuar fomentando a busca por petróleo no país, mesmo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha recomendado a elaboração de um mapa do caminho para a redução dos combustíveis fósseis.
Em nota distribuída nesta terça, a Petrobras diz que os recordes de exportação de petróleo "são resultado de um esforço coordenado e eficiente entre nossa logística" e do "trabalho contínuo de nossa área comercial no desenvolvimento de mercado e na diversificação da carteira de clientes".
Em 2025, a China continuou sendo o maior destino do petróleo brasileiro. A Índia começou a rivalizar com a Europa como segundo maior: no quarto trimestre, o país asiático ficou com 12% do volume exportado; os europeus ficaram com 13%.
