Mesmo com tarifas, EUA batem recorde de déficit comercial de bens em 2025
Nem taxas impostas a produtos importados evita que país feche ano com déficit de US$ 1,24 trilhão
Por Lucia Mutikani/Folhapress
19/02/2026 às 17:45
Foto: Reprodução/Instagram
O presidente dos EUA, Donald Trump
O déficit comercial dos EUA aumentou acentuadamente em dezembro, em meio a uma alta das importações, e o déficit de bens acumulado em todo o ano de 2025 foi o maior já registrado, apesar das tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre mercadorias fabricadas no exterior.
O déficit comercial total —que inclui as transações de bens e serviços— saltou 32,6% em dezembro em relação ao mês anterior, para US$ 70,3 bilhões (R$ 367,84 bilhões), informou o Departamento de Comércio nesta quinta-feira (19).
No ano de 2025, o déficit comercial diminuiu 0,2%, para US$ 901,5 bilhões (R$ 4,72 trilhões). No período, o déficit no comércio de bens aumentou 2,1%, atingindo um recorde histórico de US$ 1,24 trilhão (R$ 6,49 trilhões).
No ano passado, Trump lançou uma série de tarifas contra parceiros comerciais com o objetivo, entre outras coisas, de corrigir desequilíbrios comerciais e proteger as indústrias norte-americanas. Mas as tarifas punitivas não resultaram em um renascimento da indústria, com o emprego nas fábricas diminuindo em 83 mil postos de trabalho de janeiro de 2025 a janeiro de 2026.
O relatório desta quinta sofreu atraso devido à paralisação do governo no ano passado. As importações aumentaram 3,6%, para US$ 357,6 bilhões (R$ 1,87 trilhão) em dezembro. As importações de bens subiram 3,8%, para US$ 280,2 bilhões (R$ 1,47 trilhão), impulsionadas por um aumento de US$ 7 bilhões em suprimentos e materiais industriais, principalmente ouro, cobre e petróleo bruto.
O déficit comercial maior do que o esperado pode levar os economistas a reduzir suas estimativas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para o quarto trimestre, cujo dado preliminar deve ser divulgado nesta sexta-feira (20).
