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Mercado vê eventual indicação de Mello para BC como risco de interferência política do PT

Mercado vê eventual indicação de Mello para BC como risco de interferência política do PT

Por Adriana Fernandes, Folhapress

02/02/2026 às 13:56

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

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Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda

Em meio às pressões em torno do escândalo do banco Master, o surgimento do nome do economista Guilherme Mello para uma vaga na diretoria do Banco Central está sendo recebido com desconfiança pelo mercado financeiro.

Uma eventual indicação pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de Mello é o assunto mais comentado na manhã desta segunda-feira (2) nas conhecidas "morning calls" (reunião matinal) da Faria Lima, realizadas pelas principais instituições financeiras.

A leitura é de que Lula, com a indicação, passaria um sinal de interferência política do PT num dos momentos mais difíceis para o BC com a crise do Master e início do processo de queda da taxa Selic. A queda dos juros é esperada para a reunião de março do Copom (Comitê de Política Monetária), após um ciclo de aperto monetário que levou os juros para o patamar de 15% ao ano.

O nome de Mello tem apoio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de acordo com relatos obtidos pela Folha. Haddad quer deixar o cargo com os dois nomes já indicados pelo presidente e encaminhados ao Senado Federal para o processo de sabatina e posterior aprovação.

O economista é o atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e foi assessor econômico do PT na campanha presidencial de Haddad em 2018. Foi também um dos formuladores do plano econômico da campanha vitoriosa de Lula em 2022, como coordenador do grupo de economistas do PT. Ele é visto com um economista de bom trato e diálogo, mas com viés heterodoxo. Foi um dos críticos à alta dos juros para 15% e à demora do BC para começar a cair em 2025.

Uma das cadeiras abertas no colegiado do BC é a da diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central (BC), a área que foi responsável por analisar a compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília). Foi essa diretoria que propôs a rejeição da operação, depois aprovada por unanimidade pelo colegiado de diretores da autarquia. A diretoria foi ocupada por Renato Gomes, que deixou o cargo em 31 de dezembro com o fim do seu mandato legal no BC.

Outra vaga a ser ocupada no colegiado do BC, que define os rumos da taxa Selic, é a diretoria de Política Econômica, que era comandada pelo economista Diogo Guillen.

A dúvida atual do mercado é, se confirmado o nome de Mello, haveria uma troca de cadeira com uma eventual transferência do atual diretor Paulo Picchetti (Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos) para a diretoria de política Econômica, área responsável pela estratégia de juros e sua comunicação com o mercado por meio das atas do Copom (Comitê de Política Monetária) e o RPMs (Relatórios de Política Monetária), publicados a cada trimestre.

Para um renomado economista do mercado, que falou na condição de anonimato, o perfil do Guilherme Mello, um economista do PT com formação heterodoxa, traria uma mudança radical, podendo impactar a credibilidade da autoridade monetária conquistada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo. Ele vê riscos de pressão adicionais e lembra que a Fazenda chegou a estimar que um corte de três pontos percentuais na taxa Selic teria impacto pequeno na inflação e queria que o BC começasse a cair em juros em meados do ano passado.

Na avaliação de outro economista, a desconfiança voltaria e essa perda da credibilidade pode levar a um menor espaço de cortes e piora dos preços de ativos. Ele destaca que já se observa impacto altista nas taxas juros futuros ao longo da manhã desta segunda-feira (2).

A indicação também pode ser lida como perda da força de Galipolo, que já está sob pressão no caso Master, de acordo com três outros três experientes economistas do mercado que compartilham o mesmo prognóstico.

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