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Governo Lula não consegue abrir mercado de aves na Índia, uma das principais pauta da viagem
Governo Lula não consegue abrir mercado de aves na Índia, uma das principais pauta da viagem
Por Victoria Damasceno / Folhapress
22/02/2026 às 16:45
Foto: Ricardo Stuckert / PR
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não conseguiu finalizar a abertura do mercado de aves e ovos na Índia na passagem da comitiva por Nova Déli, voltando sem um dos mais importantes resultados esperados para a viagem.
Um dos motivos pelos quais a Índia recusou as importações brasileiras é porque o Brasil não aceitou a romã, lentilha e os lácteos indianos, segundo membros do governo e do setor relataram à Folha.
O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo, responsável por cerca de 35% do mercado global, segundo o Ministério da Agricultura.
A comitiva estava no país para acompanhar a viagem de Lula, que foi convidado pelo primeiro-ministro Narendra Modi para participar de uma cúpula de inteligência artificial e de uma visita de Estado, onde temas como a abertura de novos mercados foram tratados.
As negociações sobre o agronegócio eram uma das mais importantes para a gestão nesta passagem do presidente pelo país asiático, uma vez que a Índia é um grande mercado consumidor das commodities por ser a nação mais populosa do mundo e pelo frango ser a principal fonte de proteína animal no país.
Além disso, trata-se de uma população com baixo índice de consumo de carne bovina, uma vez que a vaca é considerada um animal sagrado em tradições religiosas e o consumo é visto como um tabu no país.
A Constituição indiana também orienta os governos a se empenhar para combater o abate de vacas, bezerros e outros animais leiteiros. Estados pelo país proibiram o abate de vacas ou impuseram restrições rígidas.
As negociações para abertura de mercados do agronegócio começaram, principalmente, em outubro com a ida do vice-presidente Geraldo Alckmin. Na viagem, que funcionou como uma preparação para a visita de Lula, Alckmin foi acompanhado por representantes do setor que desejavam ampliar a sua atuação na região.
Na ida mais recente, o governo também foi acompanhado por uma série de empresários do setor de proteínas, especialmente aqueles que buscavam a abertura do mercado de aves e ovos, com o agronegócio entre os principais acompanhantes, segundo dados da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
A decisão do governo indiano afeta a estratégia do Brasil de diversificação de mercados, especialmente na área de proteínas animais, que tem a China como um dos principais compradores.
O governo quer evitar que novas decisões sanitárias chinesas com relação às aves afetem a economia brasileira, como no ano passado quando Pequim suspendeu a exportação da commodity brasileira devido a um caso de influenza aviária em uma granja no Rio Grande do Sul.
A proibição ficou em vigor por cerca de seis meses, mesmo o Brasil recebendo o certificado de livre da influenza cerca de algumas semanas depois da restrição chinesa.
Após a reabertura do mercado chinês, as exportações de aves subiram cerca de 17,5% no mês seguinte, segundo dados da S&P.
