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Governo desiste de aumentar imposto de importação para informática após desgaste

Governo desiste de aumentar imposto de importação para informática após desgaste

Câmara de Comércio Exterior recuou de aumento em 15 produtos como smartphones, placas-mãe, roteadores e CPUs

Por Fernanda Brigatti/Folhapress

27/02/2026 às 17:30

Foto: Diego Baravelli/Ministério da Infraestrutura/Arquivo

Imagem de Governo desiste de aumentar imposto de importação para informática após desgaste

Outros 105 bens de consumo e de telecomunicações passam a ter isenção da tarifa de importação

Após dias de desgaste político, a Câmara de Comércio Exterior recuou da decisão de aumentar o imposto de importação de 15 itens de informática e telecomunicações. Produtos como notebooks, placas-mãe, smartphones, roteadores, mouses, memórias e CPUs voltarão a ter as alíquotas vigentes até 5 de fevereiro.

Uma decisão tomada no fim de janeiro elevou o imposto de importação de mais de mil produtos e gerou uma onda de reclamações de associações dos setores de máquinas e de eletroeletrônicos. Na última semana, integrantes do governo já admitiam desgaste com a decisão e acenavam para uma revisão das alíquotas.

Para alguns, aumentar imposto de celular em um ano eleitoral era um erro de cálculo.

A relação de produtos que tiveram aumento de imposto de importação aprovado no fim de janeiro é extensa e inclui itens como guindastes, robôs industriais, prensas, silos metálicos, transformadores, conversores, rebocadores e reatores nucleares.

Na reunião desta sexta-feira, além do recuo para os 15 itens de informática, a Câmara de Comércio Exterior acolheu pedidos de utilização do ex-tarifário e isentou 105 itens de bens de capital, informática e telecomunicações. A alíquota fica zerada por 120 dias.

Fernando Haddad, ministro da Fazenda, vinha defendendo o aumento das alíquotas e disse que a decisão tinha caráter regulatório. No fim de 2025, o governo Lula (PT) projetava uma arrecadação de R$ 14 bilhões com aumento de imposto de importação.

"Não tem impacto em preço, é uma mentira o que estão falando, que isso vai encarecer, porque os produtos são feitos aqui, mas impede que uma empresa estrangeira, utilizando um subterfúgio, consiga concorrer com a empresa que está instalada no Brasil com um produto similar", disse o ministro, na quarta (25).

Ele também afirmou que mais de 90% dos celulares consumidos no Brasil são feito no país, o que tornaria irrelevante o efeito do aumento na tributação.

A Abinee, que representa os fabricantes de eletrônicos, divulgou nota e defendeu a resolução da Camex que aumentou o imposto de importação e classificou a medida como um "incentivo para a indústria local".

O embasamento da decisão de elevar o imposto de importação estava em uma nota técnica elaborada pela SPE (Secretaria de Política Econômica), um órgão do Ministério da Fazenda.

No texto, a SPE afirma que houve uma escalada da importação dos bens de capital e dos bens de informática e telecomunicações –foram US$ 75,1 bilhões em 2025, uma alta de 33,4% em relação a 2023– ameaça "colapsar elos da cadeia produtiva e provocar regressões produtiva e tecnológica do país, de difícil reversão".

O aumento de imposto seria uma medida necessária para "reequilibrar preços relativos, mitigar a concorrência assimétrica, conter a tendência de aumento da penetração de importados e reduzir a vulnerabilidade externa estrutural associada ao déficit setorial".

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