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Aliado de Alcolumbre alvo da PF pede exoneração do cargo na Previdência do Amapá
Aliado de Alcolumbre alvo da PF pede exoneração do cargo na Previdência do Amapá
Por Raquel Lopes/Folhapress
11/02/2026 às 12:03
Foto: Reprodução Amprev
Jocildo Lemos
O diretor-presidente da Amprev (Amapá Previdência), Jocildo Lemos, pediu exoneração do cargo nesta quarta-feira (11) após operação da Polícia Federal que investiga investimento da autarquia no Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Indicado ao posto pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de quem já foi tesoureiro de campanha e a quem agradeceu publicamente pela nomeação, Lemos comandava a autarquia vinculada ao governo do Amapá responsável pela gestão do regime próprio de previdência do estado.
Segundo comunicado divulgado por Lemos no site da autarquia, o afastamento ocorre para que a Justiça atue com independência e para que seja comprovado que os "procedimentos foram conduzidos com rigorosa observância da legalidade, possibilitando a identificação e a responsabilização dos eventuais responsáveis".
"Seguindo com absoluto compromisso com a instituição, com os segurados e com a verdade dos fatos, apresento meu pedido de exoneração do cargo de Diretor-Presidente da Amprev".
Ele disse, em nota, que tem confiança na Justiça e na força dos fatos. Acrescentou ainda que o patrimônio da Amprev cresceu 41% entre 2023 e 2025, garantindo o pagamento de aposentados e pensionistas até 2059.
A PF afirma que a destinação de recursos da Amprev para o Banco Master, em deliberações adotadas em menos de 20 dias, ignorou alertas internos, desprezou riscos relacionados ao investimento e deixou de exigir, previamente, documentação técnica complementar. Ao todo, os aportes somaram R$ 400 milhões.
Então diretor-presidente do instituto e coordenador do comitê de investimentos, Lemos teve "papel central" na condução das reuniões, em julho de 2024, e na execução das decisões aprovadas, segundo a PF.
A polícia fez buscas em endereços de Jocildo; José Milton Afonso Gonçalves, conselheiro da Amprev e integrante do comitê de investimentos; e Jackson Rubens de Oliveira, também integrante do comitê de investimentos e participante de reuniões que decidiram por aportes no Master.
Jocildo, José Milton e Jackson tiveram participação decisiva para a aplicação dos R$ 400 milhões em letras financeiras do Master, conforme a PF, num "contexto marcado por alertas técnicos, fragilidades de governança, ausência de diligências robustas e crescente concentração de risco".
Durante reunião para decisão sobre aporte do dinheiro da previdência estadual, segundo a investigação, Jocildo teria "relativizado" questionamentos técnicos apresentados por outros conselheiros e defendido aprovação das operações com base em fundamentos "genéricos".
"Há registros que sugerem a neutralização de alertas internos e a condução do processo decisório de forma incompatível com os padrões de governança exigidos para a gestão de recursos previdenciários", cita o relatório da PF.
