Aliado de ACM Neto será relator da PEC 6x1 em comissão da Câmara
Por Raphael Di Cunto, Folhapress
23/02/2026 às 16:47
Foto: Kayo Magalhães - 04.nov.25/Câmara dos Deputados
Aliado de ACM Neto, deputado Paulo Azi (União Brasil-BA) será o relator da PEC 6x1
Aliado do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), o deputado Paulo Azi (União Brasil-BA) deve ser oficializado nesta terça-feira (24) como o relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a jornada de trabalho 6x1 –principal pauta do governo Lula (PT) neste semestre.
Azi foi escolhido em reunião entre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, e o presidente da CCJ, Leur Lomanto (União Brasil-BA), neste domingo.
Lomanto afirmou que anunciará Paulo Azi como relator nesta terça, após Motta conversar com líderes partidários. Nos bastidores, no entanto, o nome de Azi já foi escolhido, informação revelada pelo site Metrópoles e confirmada pela Folha com fontes do partido.
O relator é o responsável por negociar mudanças no projeto com o governo, parlamentares e sociedade. Cabe a ele emitir um parecer –que, na CCJ, trata sobre a admissibilidade da PEC, ou seja, se nenhum de seus artigos fere cláusulas pétreas da Constituição.
ACM Neto é um dos principais adversários do PT e lidera as pesquisas de intenção de voto contra o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). Ao assumir a linha de frente do projeto, o grupo do ex-prefeito de Salvador e secretário-geral do União Brasil pretende dividir os ganhos políticos do tema.
Azi foi presidente da CCJ da Câmara em 2025 e é de uma ala moderada do partido, embora faça oposição ao PT.
São duas PECs discutidas juntas na CCJ: a da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), com redução da jornada semanal de 44 horas para 36 horas e jornada de apenas quatro dias na semana, e a do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), com redução da jornada de 44 horas para 36 horas por semana.
O texto ainda pode ser modificado por uma comissão especial, que será criada após a discussão da CCJ.
Setores empresariais se armaram em três frentes para tentar frear a PEC. Eles planejam atuar para que a votação fique para depois da eleição, preparar estudos e campanhas para mostrar os pontos negativos da mudança e apresentar propostas alternativas, como a desoneração da folha de salários ou autorizar o pagamento por hora trabalhada.
