Home
/
Noticias
/
Economia
/
Agente do BC que cometeu erro no caso Master responderá por conduta, diz presidente do TCU
Agente do BC que cometeu erro no caso Master responderá por conduta, diz presidente do TCU
Vital do Rêgo afastou risco de tribunal reverter liquidação do banco: 'Estou doido para virar essa página'
Por Marcos Hermanson/Folhapress
10/02/2026 às 17:15
Atualizado em 10/02/2026 às 20:38
Foto: Divulgação/TCU
O presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Vital do Rêgo
O presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Vital do Rêgo, afirmou nesta terça-feira (10) que agentes do Banco Central que tenham cometido erro ou dolo no processo de liquidação do Master vão responder por suas condutas.
"O TCU analisa se a liquidação do banco obedeceu às normas do direito administrativo –transparência, eficiência, regularidade", disse o ministro na CEO Conference do BTG Pactual, em São Paulo. "Alguém vai responder se for pego em erro ou dano".
O Tribunal de Contas da União tem dois processos em aberto contra o Banco Central. O primeiro analisa a conduta do BC na rejeição da compra do Master pelo BRB, em setembro, e o segundo a liquidação do Master, em novembro.
Em decisão bastante criticada, o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, determinou uma inspeção presencial dos documentos do Banco Central relativos à liquidação do Master. A inspeção foi realizada após acordo com a autarquia.
Na palestra desta terça-feira, Vital do Rêgo repetiu que os processos de inspeção são corriqueiros e afastou a possibilidade de uma reversão da liquidação do Master. "O TCU não tem poder para modificar a liquidação do banco. Só quem tem poder para liquidar uma instituição financeira é o Banco Central", disse.
Ele afirmou que o relatório da inspeção será entregue a Jhonatan de Jesus até quinta-feira (12). "E vamos a plenário, vamos votar com absoluta liberdade, e graças a Deus eu estou doido para virar essa página".
CONGRESSO AVILTOU LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL, DIZ MINISTRO
Vital do Rêgo criticou a decisão do Congresso de permitir, na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) em dezembro do ano passado, que o governo persiga o piso da meta fiscal.
"Temos uma lei chamada Lei de Responsabilidade Fiscal, que existe há 25 anos, e que de vez em quando é aviltada", afirmou. "E dessa vez foi, mais uma vez, o Congresso Nacional, em votação da LDO, [que] decidiu que o piso era a meta".
Apesar da crítica do ministro, o próprio relator do caso no TCU, ministro Benjamin Zymler, deu parecer liberando o governo a mirar o piso da meta. Isso foi em outubro, portanto antes da decisão do Congresso. Depois, o tribunal comunicou ao governo Lula que perseguir o piso era arriscado, mas não ilegal.
Vital do Rêgo diz que, em 2026, o TCU pode tomar decisão que obrigue o governo a perseguir o centro da meta, e não o piso. "Nós vamos ter a mesma posição, definindo que a meta é zero. E dessa vez é uma [previsão de superávit] mais ousada do governo para 2026 [...] de R$ 34 bilhões".
