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Vorcaro e ex-presidente do BRB divergem sobre origem de créditos em acareação no STF
Vorcaro e ex-presidente do BRB divergem sobre origem de créditos em acareação no STF
Banco de Brasília diz não ter sido informado sobre origem terceirizada das carteiras com créditos podres
Por André Borges/Folhapress
29/01/2026 às 21:20
Atualizado em 30/01/2026 às 00:35
Foto: Divulgação/Polícia Federal
Acareação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília Paulo Henrique Costa
O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram versões conflitantes durante a acareação realizada no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a origem de carteiras de crédito consideradas problemáticas e adquiridas pelo banco público, a partir de 2025.
A informação foi adiantada pelo site Poder360 e confirmada pela Folha. O principal ponto de divergência diz respeito à transparência da operação e à participação da consultoria Tirreno na originação dos créditos, empresa que atuava como consolidadora de correspondentes bancários. Apesar da divergência, a acareação ocorreu de forma amena, sem nenhum momento de maior conflito.
Vorcaro disse que chegou a informar previamente ao BRB sobre a adoção de um "novo formato de comercialização" a partir de janeiro, no qual o Master passaria a negociar créditos originados por terceiros, e não mais produzidos internamente.
"Acho que a gente chegou a conversar por algumas vezes que a gente começaria um novo formato de comercialização que seria de terceiros, carteiras originadas por terceiros e não mais originação própria", disse Vorcaro.
Paulo Henrique Costa, no entanto, negou essa versão. Segundo ele, o entendimento do BRB era de que os ativos tinham origem no próprio Banco Master, ainda que pudessem ter sido negociados com terceiros antes da revenda.
"Meu entendimento é que eram carteiras originadas pelo Master que haviam sido vendidas ou negociadas a terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente", comentou.
De acordo com o ex-presidente do BRB, a ligação direta com a Tirreno só foi identificada entre abril e maio, após análises técnicas apontarem que havia um padrão documental distinto nos contratos.
"Ao analisar alguns contratos, identificamos que tinha um padrão documental diferente. E a partir daí é que a gente começou a questionar quem eram os originadores específicos", afirmou o ex-presidente do BRB.
Costa explicou que a detecção tardia ocorreu porque a identificação do originador final do crédito não costuma integrar os documentos utilizados nas análises de risco. Isso, segundo ele, dificultou a identificação imediata da origem dos ativos.
Em sua defesa, Vorcaro sustentou que o Master permaneceu operacional e que teria honrado cerca de R$ 10 bilhões em resgates de investidores entre março e novembro do ano passado, apesar de reconhecer que enfrentou um período de forte pressão sobre a liquidez.
Para solucionar o impasse em torno das carteiras problemáticas, Master e BRB realizaram uma ampla troca de ativos. Do total de R$ 12,7 bilhões, aproximadamente R$ 10,2 bilhões foram substituídos por novos créditos consignados, imobiliários e corporativos. O BRB aplicou um deságio médio de 30% nesses ativos, o que resultou em uma margem de segurança estimada em cerca de R$ 2 bilhões a favor do banco público, disse Costa.
Ao final da acareação, Vorcaro afirmou que a operação foi encerrada sem prejuízo ao BRB. Costa, porém, ponderou que, embora as garantias tenham sido reforçadas, ainda havia pendências formais e ativos — como cerca de R$ 800 milhões em ações — que dependiam de avaliação final de preço no momento em que o processo foi interrompido pela liquidação do banco.
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, disse em seu depoimento à PF (Polícia Federal) realizado no fim de dezembro que a reserva de recursos a ser feita pelo BRB (Banco Regional de Brasília) para cobrir as perdas com o Banco Master "será de elevada monta" e pode se aproximar de R$ 5 bilhões.
Até o momento, há R$ 2,6 bilhões mapeados, e a requisição de provisionamento (reserva financeira) já foi feita pelo BC ao banco estatal de Brasília. No mês passado, Aquino revelou aos investigadores que o valor deverá ser maior em razão da "baixa qualidade" dos ativos entregues pelo Master ao BRB.
