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Neto é o maior beneficiário na Bahia da candidatura presidencial do PSD, por Raul Monteiro*
Neto é o maior beneficiário na Bahia da candidatura presidencial do PSD, por Raul Monteiro*
Por Raul Monteiro*
29/01/2026 às 08:43
Atualizado em 29/01/2026 às 11:43
Foto: Divulgação/Arquivo
ACM Neto
Ainda que não seja possível mensurar neste momento a extensão do impacto na Bahia da filiação de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, ao PSD, há consenso entre os setores políticos, tanto à esquerda quanto à direita, de que o movimento representa um ponto de inflexão nas conversas que se desenhavam até agora em nível nacional e local. Caiado entra no PSD com chances efetivas de encabeçar a chapa do partido à sucessão de Lula. Dos seus dois outros concorrentes na legenda, Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, tem demonstrado pouco apetite para disputar a vaga de candidato presidencial.
Por sua vez, Ratinho Jr., que governa o Paraná, enfrenta dificuldades porque os candidatos a governador que pensa em apoiar patinam nas pesquisas e ainda por cima enfrentam a forte concorrência do senador Sérgio Moro (União Brasil), doido para assumir o comando do Estado e promover uma devassa em sua administração, fatos que podem empurrá-lo para uma candidatura ao Senado a fim de ajudar o nome que escolher para representá-lo na sucessão, afastando-o do projeto nacional. Na primeira hora, quem parece mais se beneficiar do nome de Caiado na sucessão presidencial na Bahia é ACM Neto (União Brasil).
Os dois são amigos e discutem a possibilidade da parceria desde que o Caiado estava também no União Brasil. O governador de Goiás deixou a sigla porque pressentiu, se diz, com alguma demora, que o partido não estava disposto a bancar uma candidatura à Presidência, preferindo, como tem sido sua prática até agora, manter o jogo do governismo, em que ataca de um lado e apóia de outro o presidente Lula (PT), além de priorizar a eleição de bancadas ao Congresso e às Assembleias. Fato é que o movimento no âmbito do PSD cria nacionalmente um fato político que reposiciona a direita frente à sucessão presidencial.
O senador Flávio Bolsonaro, do PL, filho do presidente Jair Bolsonaro, deixa de jogar sozinho no campo das oposições, independentemente da liderança que possua nas pesquisas. Quanto a Neto, sai do dilema em que o PT o jogou na campanha passada e que pode ter lhe custado muitos votos, a de que, para ele, 'tanto faz' o futuro presidente do Brasil. Ele agora tem um candidato ao Palácio do Planalto para chamar de seu, não importa quem, entre os três, assuma a candidatura presidencial do partido de Gilberto Kassab, considerado, como os fatos vêm mostrando, o mais habilidoso político brasileiro da atualidade.
Mas a confusão maior se processa neste momento no campo do governo estadual, no qual o senador Angelo Coronel, do PSD, saiu da condição de patinho feio em que o PT o havia jogado, ao excluí-lo da chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT), para a de cisne reluzente depois que seu partido se moveu. Afinal, a operação pode dar-lhe legitimidade, como senador de um partido que tem um candidato a presidente em oposição a Lula, a migrar para a chapa de Neto, suplantando os constrangimentos que o senador Otto Alencar, que preside o PSD no Estado e quer votar em Jerônimo e Lula, vinha lhe criando.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna
