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PT menciona Banco Master para reforçar críticas ao mercado financeiro antes da eleição
PT menciona Banco Master para reforçar críticas ao mercado financeiro antes da eleição
Partido aprova resolução apontando promiscuidade entre parte do mercado e crime organizado
Por Catia Seabra/Caio Spechoto/Folhapress
29/01/2026 às 20:20
Foto: Anderson Barbosa/Divulgação
O presidente do PT, Edinho Silva
A executiva nacional do PT aprovou nesta quinta-feira (29) uma resolução que usa o caso Banco Master para reforçar as críticas do partido ao mercado financeiro. O texto, ao qual a reportagem teve acesso, também defende a tarifa zero no transporte público e a redução da jornada de trabalho, dois temas que deverão aparecer na campanha de reeleição do presidente Lula.
"Os escândalos financeiros, como o do Banco Master e outros, que expõem a corrupção e a promiscuidade entre parte do mercado e o crime organizado", afirma a resolução, "revelam que a disputa em curso é estrutural" –o texto menciona outros fatores, como "a permanente ofensiva da extrema direita".
O partido afirma que a disputa política atual trata "do enfrentamento entre um projeto que defende a democracia e o desenvolvimento com soberania e justiça social e um projeto que busca subordinar o Estado brasileiro aos interesses do capital financeiro, das plataformas digitais sem controle democrático e de uma agenda autoritária".
O escândalo do Banco Master envolve operadores do mercado e da política. O dono do banco, Daniel Vorcaro, ficou preso por 12 dias no ano passado e agora é monitorado por tornozeleira eletrônica.
O caso ganhou relevância depois de o Banco Central barrar a compra do Master pelo BRB, banco estatal de Brasília. As perdas para a empresa do governo do Distrito Federal podem chegar a R$ 5 bilhões, de acordo com um dos depoimentos dados à investigação.
Apesar das críticas, o caso Master também tem atingido o governo Lula. O escritório da família do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski tinha contrato com o banco até o ano passado, período em que ele atuava no governo. Além disso, o ex-ministro Guido Mantega, um dos principais auxiliares de Lula em seus primeiros dois mandatos, foi consultor do banco.
Na resolução debatida pelo PT, as críticas ao mercado financeiro aparecem em diferentes momentos.
"A disputa eleitoral que se aproxima não será apenas entre candidaturas, mas entre projetos antagônicos: de um lado, o projeto democrático, popular e soberano que recolocou o povo no centro das decisões do Estado; de outro, o projeto autoritário, excludente e subordinado aos interesses do capital rentista e da extrema direita global, representado pelo bolsonarismo, independentemente de quem venha a ser seu porta-voz nas urnas", afirma o documento em discussão.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) escolheu seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para ser o candidato do bolsonarismo na eleição presidencial deste ano. Forças mais ao centro têm se organizado para também ter um candidato para disputar o poder com Flávio e Lula.
O partido também defende a queda da taxa de juros. Na quarta-feira (28), o Banco Central decidiu manter a taxa em 15% ao ano, mas sinalizou que fará um corte em março.
Além disso, o documento inclui um trecho sobre segurança pública. O debate sobre o tema é uma deficiência histórica do PT. É consenso no mundo político que, em 2026, o assunto deverá ser um dos principais da campanha presidencial.
"A extrema direita tenta disputar o imaginário social a partir do debate da segurança pública de forma irresponsável e sem apresentar soluções concretas, mobilizando termos como ‘narcoterrorismo’", afirma o texto.
"Essa narrativa, que opera pelo medo, reforça ações autoritárias e oferece respostas simplistas para problemas complexos, explorando a sensação de falta de segurança vivida pela população", afirma o texto.
O partido instruirá seus militantes a defender a redução da jornada de trabalho, a tarifa zero no transporte coletivo e propostas de aumentem a seguridade social para trabalhadores de aplicativos.
