Haddad elogia Fachin por iniciativa de código de ética no STF
Por Marcos Hermanson, Folhapress
29/01/2026 às 13:21
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), manifestou, em entrevista nesta quinta-feira (29), apoio à iniciativa do ministro STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin de definir um código de conduta na corte. Haddad também minimizou o encontro em 2024, fora da agenda oficial, do presidente Lula (PT) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master.
Sobre o STF, o ministro disse que a instituição está nas mãos de uma pessoa correta. "Acredito que o Fachin está com o melhor ânimo pra dar uma resposta a isso da maneira adequada", disse o ministro da Fazenda durante entrevista ao portal Metrópoles, ao ser questionado sobre a crise no STF.
Haddad reforçou, no entanto, que o tema é uma questão interna da corte. O código de conduta é uma das medidas defendidas pelo presidente do supremo para fazer frente à crise de imagem vivenciada pela corte, na esteira dos desdobramentos da investigação sobre o Banco Master.
Nas últimas semanas, vieram à tona ligações indiretas entre os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, que é investigado pela Polícia Federal por fraude, em procedimento supervisionado pelo STF.
Questionado sobe a crise na suprema corte, Haddad afirmou que os órgãos públicos não podem temer o "autosaneamento" quando há problemas institucionais. "As instituições que têm o dever de fiscalizar e punir tem que ter um procedimento interno para dar clareza ao que está acontecendo, para sua própria sustentabilidade e legitimidade", disse.
"Vamos supor que na Receita eu descubro um servidor que na minha opinião pode ter agido de forma equivocada. Vou mandar abrir procedimento para apurar", afirmou o ministro, citando a abertura de uma investigação interna do Banco Central sobre a condução do caso Master.
Em dezembro do ano passado, o jornal O Globo revelou contrato entre o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci, com o Banco Master. Depois, reportagem da Folha mostrou que dois irmãos e um primo do ministro Dias Toffoli foram donos de um resort em sociedade com fundos que integravam a suposta teia de fraudes do banco.
O presidente Lula recebeu Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024. O encontro foi antes do escândalo de fraude financeira ser conhecido do público.
Haddad disse na entrevista que já havia rumores de problemas com o Banco Master circulando em 2024, mas sem indícios de fraude ou de crime. Os indícios, segundo ele, seriam apenas de um "negócio mal feito".
De acordo com o ministro, ele não sabia que a reunião aconteceria. Haddad também citou as doações de campanha feitas pelo cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, às candidaturas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL) na campanha de 2022.
"[Alguém] vai falar 'recebeu dinheiro de campanha é indecente, vagabundo'. Não é assim. Me encontro com muito empresário. Se eu me encontrei com um que fez alguma coisa, isso me torna suspeito?", disse o ministro.
Haddad disse que, no passado, já estaria mais apropriado de elementos concretos e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, estava muito preocupado, abrindo procedimentos internos pra mergulhar na fiscalização.
A informação de que o Banco Central está fazendo, desde o fim do ano passado, uma investigação interna para analisar a condução do processo de fiscalização envolvendo o Banco Master só veio à tona nesta quinta.
O procedimento envolve desde a expansão do conglomerado de Daniel Vorcaro até a liquidação da instituição em novembro de 2025. A informação sobre a investigação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha.
Haddad defendeu a condução dada pelo Banco Central ao caso do Master, que, voltou a afirmar, teria sido um "abacaxi" herdado pelo atual presidente, Gabriel Galípolo, da gestão de Roberto Campos Neto. "O Gabriel tomou todas as providências necessárias".
O minsitro da Fazenda também falou sobre o almoço entre ele, o ministro Dias Toffoli e o presidente Lula em dezembro, e confirmou que o principal tema tratado foi o Master.
"O presidente [Lula] quis passar pro ministro Toffoli que nós temos a oportunidade de dar uma resposta à corrupção pelo andar de cima", disse o petista.
Haddad confirmou que deixa o Ministério da Fazenda ainda em fevereiro, mas não disse quem será o seu sucessor. "O presidente Lula tem muito apreço pela equipe do Ministério da Fazenda", afirmou Haddad –um dos nomes mais cotados para assumir a cadeira é o do secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan.
Haddad tem sido pressionado, inclusive publicamente por outros colegas da esplanada, a ser candidato em São Paulo. Ideia que ele tem resistido a aceitar.
"Já me coloquei à disposição pra participar da campanha, ajudar a formular um plano de governo. Em 2022, mostramos que campo progressista tem nome, sim. Temos nomes bons no estado", disse Haddad.
