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Gleisi minimiza impacto do caso Master no governo e diz que consultoria de Lewandowski era regular
Gleisi minimiza impacto do caso Master no governo e diz que consultoria de Lewandowski era regular
Por Catia Seabra, Mariana Brasil e Augusto Tenório/Folhapress
28/01/2026 às 12:51
Foto: Valter Campanato/Aquivo/Agência Brasil
Gleisi Hoffmann
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quarta-feira (28) que o governo Lula (PT) já sabia dos trabalhos de consultorias prestadas a bancos privados feito por Ricardo Lewandowski ao assumir o Ministério da Justiça e minimizou o impacto do caso do Banco Master na gestão.
À imprensa ela declarou que Lewandowski se afastou das funções atreladas aos bancos quando foi chamado para o governo e que o fato não teve relação com sua saída. Em sua fala, Gleisi enfatizou que a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master, se deu durante o comando do então ministro e que, portanto, não houve impacto nas apurações do crime.
"Isso não é impeditivo. Me pergunto por que as pessoas ficam divulgando isso, qual o crime?", questionou ela. "Como isso influenciou a investigação? Volto a dizer, o presidente do Banco Master foi preso nessa gestão do presidente Lula, na gestão do ministro Lewandowski."
Questionada, a ministra chegou a afirmar, em um primeiro momento, que o governo tinha ciência de que o ministro prestava consultoria especificamente ao Master, esclarecendo, na sequência que o tema deve ter sido mencionado quando o ministro tratou de seus trabalhos de consultoria.
"Nós sabíamos que o ministro Lewandowski prestava consultoria ao Banco Master quando o presidente o convidou para fazer parte do governo", disse, inicialmente. Ao ser questionada novamente sobre o tema, Gleisi disse: "El [Lewandowski] avisou que prestava atividades privadas, econômicas que ele teria que se afastar. Se ele falou exatamente no Master, por exemplo? Ele deve ter comentado, mas isso não é impeditivo, por que seria impeditivo isso?", declarou.
O escritório de advocacia da família de Lewandowski foi contratado pelo Banco Master de 2023 a agosto de 2025. Em parte desse período, ele era ministro da Justiça.
Desde que saiu do escritório, em 17 de janeiro de 2024, a banca está a cargo de sua mulher, Yara de Abreu Lewandowski, e do filho do casal Enrique Lewandowski. Mesmo com a saída do ministro, eles seguiram prestando serviços para o Master, um dos clientes do escritório. A informação foi revelada pela coluna da Andreza Matais, no portal Metrópoles, e confirmada pela Folha.
Ainda em suas falas, Gleisi minimizou a relação de nomes ligados à esquerda com envolvidos no escândalo do Master, e afirmou que a oposição é quem deve prestar explicações.
"A oposição tem que explicar por que o cunhado do Vorcaro foi o maior doador individual do Bolsonaro e do Tarcísio", disse, em referência a Fabiano Zettel, pastor e empresário, que se tornou alvo de partidos da esquerda, que tentam incluí-lo na investigação da CPI do INSS. A esquerda questiona a doação de R$ 5 milhões para as campanhas dos dois candidatos.
A revelação mais recente sobre o envolvimento de nomes ligados à esquerda foi a participação de Augusto Lima, cuja empresa firmou parcerias com nomes como Jerônimo Rodrigues (PT), governador da Bahia.
"O que tem de regular com a relação com o governo da Bahia? Com o contrato? Só o fato de existir um contrato não é algo ilegal, irregular, imoral. A oposição é que tem que explicar os envolvimentos dos seus governos com essa questão. Governo do Distrito Federal, governo do Rio de Janeiro que estão envolvidos aí com os fundos de de pensão."
