Fed interrompe cortes e mantém taxa de juros inalterada nos EUA
Taxa continuará na faixa entre 3,5% e 3,75%, o menor nível em três anos
Por Folhapress
28/01/2026 às 17:15
Foto: Reprodução/Twitter
O presidente do Fed, Jerome Powell
O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) anunciou nesta quarta-feira (28) a manutenção da taxa de juros dos Estados Unidos na faixa entre 3,5% e 3,75%. A decisão era amplamente esperada pelo mercado, apesar da pressão do presidente Donald Trump por mais reduções e das investidas contra o presidente do banco, Jerome Powell.
O parecer da primeira reunião deste ano interrompe uma sequência de três cortes consecutivos, que levaram a taxa ao menor nível em três anos. A nova declaração não ofereceu pistas sobre novas reduções.
A votação desta quarta teve dez votos a favor da manutenção e dois contra —os diretores Stephen Miran, indicado por Trump ao cargo no Fed em 2025, e Christopher Waller, um dos favoritos da Casa Branca para assumir a presidência do banco, se posicionaram a favor de um corte de 0,25 ponto percentual.
"A atividade econômica tem se expandido em um ritmo sólido", diz a declaração das autoridades, que acrescenta que "a extensão e o momento de ajustes adicionais" à taxa dependeriam dos dados e da perspectiva econômica.
Para o banco central americano, a inflação "permanece um tanto elevada", enquanto o mercado de trabalho "mostrou alguns sinais de estabilização". Embora o Fed tenha observado que "ganhos de emprego permaneceram baixos", foi removida a linguagem da declaração anterior sobre aumento de riscos negativos para o emprego —uma indicação de que há menos preocupação entre as autoridades com uma rápida deterioração no mercado de trabalho.
Dados mais recentes mostraram que a taxa de desemprego dos EUA caiu para 4,4% em dezembro, apesar do crescimento fraco do emprego, e economistas preveem que o índice de preços PCE excluindo os custos de alimentos e energia aumente para 3% na comparação anual, bem acima da meta de 2% do Fed.
Com os gastos do consumidor fortes e a política fiscal provavelmente impulsionando o crescimento nos primeiros meses do ano, "o que está claro é que, dada a força da economia dos EUA... não há urgência em reduzir os juros de forma agressiva", escreveu Seema Shah, estrategista global chefe da Principal Asset Management, em uma análise antes da reunião.
Os mercados futuros consideram provável que haja duas reduções mais adiante neste ano. No entanto, investidores veem a decisão desta quarta como o início de uma pausa de cortes que pode ir além das últimas reuniões de Jerome Powell à frente do banco, em março e abril.
Na última reunião de 2025, houve divisão interna na instituição sobre os próximos passos. Sete dos 19 membros do Fed indicaram que não seriam necessários mais cortes por pelo menos um ano, enquanto quatro disseram que provavelmente seria necessário apenas mais um corte, e oito disseram que a taxa precisaria cair pelo menos 0,5 ponto percentual em 2026.
O Fed sofre pressão de Trump, que já solicitou diversas vezes reduções imediatas e acentuadas na taxa de juros, mas a dispersão de opiniões entre as autoridades mostra o obstáculo que o substituto de Powell enfrentará para conseguir algo além de cortes modestos.
Trump deve indicar alguém em breve para assumir o cargo de Powell, cujo mandato como chefe do Fed termina em maio. O mercado teme que o republicano opte por um dirigente que responderá às suas demandas, e não aos dados econômicos.
A economia, por sua vez, continua mostrando resiliência, apesar das preocupações no final do ano passado sobre o enfraquecimento do mercado de trabalho.
Em análise da semana passada, o economista-chefe do JPMorgan, Michael Feroli, considerou improvável que tanto o comunicado do Fed quanto os comentários de Powell em sua coletiva de imprensa —prevista para ocorrer a partir das 16h30 (horário de Brasília)—se comprometam com o momento ou a extensão de novos cortes nos juros.
