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Brasil vai ampliar emissão externa em 2026, com volta ao mercado europeu e entrada na China

Brasil vai ampliar emissão externa em 2026, com volta ao mercado europeu e entrada na China

Por Idiana Tomazelli, Folhapress

28/01/2026 às 17:57

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Brasil vai ampliar emissão externa em 2026, com volta ao mercado europeu e entrada na China

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, em seu gabinete em Brasília - Adriano Machado - 07.jul.25/Reuters

O Tesouro Nacional anunciou nesta quarta-feira (28) que vai ampliar as emissões de títulos soberanos no mercado externo em 2026. A captação em dólar seguirá sendo o principal foco, mas o Brasil também vai voltar ao mercado europeu e planeja fazer a primeira emissão em yuan, moeda oficial da China.

No ano passado, as emissões externas somaram US$ 10,8 bilhões, um volume recorde, impulsionado pela demanda dos investidores e também pelos novos títulos sustentáveis, usados para financiar ações ligadas ao meio ambiente e a políticas sociais.

Neste ano, as emissões devem superar esse valor, afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron. "Pelo volume de emissões, dado o objetivo que está previsto, tem uma probabilidade de isso acontecer [superar os US$ 10 bilhões]", disse.

"A intenção é fazer no mínimo o volume feito no ano passado", reforçou o subsecretário da Dívida Pública do Tesouro, Daniel Leal. Segundo ele, as emissões também devem ser mais frequentes do que no ano passado, quando foram realizadas quatro emissões externas.

A última vez que o Brasil emitiu títulos no mercado europeu foi em março de 2014, com um papel com prazo de sete anos. Já as emissões em yuan são inéditas.

"Nosso mercado principal sempre foi e vai continuar sendo o mercado norte-americano. A ideia é manter e aumentar as emissões lá. Nossos pares emitem [nesse mercado] quatro vezes mais que o Tesouro", afirmou Leal.

Ele disse ainda que é importante o Brasil ter presença no mercado europeu, não só para diversificar fontes de financiamento, mas também para estabelecer uma referência de custos para empresas brasileiras, que também podem buscar investidores nessa moeda.

A mesma lógica vale para o mercado chinês. Os chamados Panda bonds já são uma realidade no mercado corporativo e, por isso, faz sentido para o Tesouro abrir essa nova frente —embora o próprio subsecretário tenha reconhecido que se trata de uma "emissão um pouco mais complicada".

Segundo Ceron, o Brasil também analisa a possibilidade de explorar outros mercados (no passado, o país já captou recursos em ienes do Japão, por exemplo), embora haja também uma limitação de equipes disponíveis dentro do Tesouro para lidar com a estruturação de operações com características tão distintas.

A decisão do governo de ampliar as emissões externas faz parte de uma estratégia de elevar a exposição da dívida brasileira ao mercado externo. O país encerrou 2025 com 3,8% de sua dívida pública federal atrelada ao câmbio, o equivalente a R$ 326 bilhões. Os objetivos estabelecidos no PAF (Plano Anual de Financiamento) ficam entre 3% e 7%.

O objetivo de médio e longo prazo do Tesouro é se aproximar dos 7%, mas de forma paulatina, ao longo da próxima década. "Não é uma corrida. É parte do benchmark, da nossa estratégia", disse o subsecretário da Dívida.

Aumentar as emissões externas num momento de maior liquidez no mundo pode colocar o Brasil em contato com mercados onde a taxa de juros é menor. Por outro lado, também pode aumentar a exposição do país ao risco cambial, que no passado já foi o gatilho de graves crises.

A posição atual do Brasil para administrar esse tipo de risco, porém, é melhor do que foi no passado, dado o acúmulo de reservas internacionais da ordem de US$ 358 bilhões —muito acima da dívida externa brasileira.

Segundo os técnicos, a ampliação das emissões externas está sendo discutida e calibrada de forma a ter um "risco muito balanceado". Além disso, ainda que a fatia desses papéis na dívida federal suba para 7%, ainda será um patamar historicamente baixo.

"A gente está muito longe do momento em que isso seria uma preocupação", afirmou Leal.

Na avaliação do Tesouro, o fato de 2026 ser ano eleitoral no Brasil deve ter pouca influência nessa estratégia, sobretudo porque esse não é o único elemento observado pelos investidores externos. O subsecretário mencionou que o governo brasileiro deve ter inclusive uma janela de emissão próxima à eleição ou até entre o 1º e o 2º turno.

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