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Moraes descartou estender horário de votação em 2022 após blitze ilegais da PRF
Moraes descartou estender horário de votação em 2022 após blitze ilegais da PRF
Por Luísa Martins, Folhapress
25/10/2026 às 17:55
Foto: Rosinei Coutinho/STF/Arquivo
O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes
Em 2022, quando blitze ilegais da PRF (Polícia Rodoviária Federal) dificultaram a locomoção de eleitores principalmente no Nordeste, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) descartou estender o horário de votação e encerrou o pleito normalmente às 17h.
Na época, o presidente do TSE era o ministro Alexandre de Moraes. Em coletiva de imprensa a uma hora do encerramento das urnas, ele disse que todos os eleitores acabaram chegando às seções eleitorais a tempo de votar —portanto, a ampliação do prazo seria desnecessária.
A Folha havia mostrado que a PRF descumpriu a ordem judicial de Moraes para não realizar operações que envolvessem o transporte público de passageiros. O órgão fez mais de 500 ações de fiscalização a ônibus até as 12h35 do segundo turno, que ocorreu em 30 de outubro daquele ano.
A campanha de Lula (PT) viu tentativa de boicote e acionou o TSE para pedir a extensão do horário, mas não obteve sucesso. "Em alguns casos, as operações retardaram a chegada dos eleitores. Mas em nenhum caso os impediu de chegarem às suas seções eleitorais", disse Moraes.
As ações da PRF no segundo turno foram incluídas no processo da trama golpista que levou à condenação de envolvidos na tentativa de manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas urnas.
A atuação do então diretor-geral da corporação, Silvinei Vasques, foi examinada como parte das iniciativas para dificultar o acesso de eleitores às urnas e favorecer Bolsonaro. A inclusão do episódio no processo relacionou as operações daquele dia ao conjunto de ações investigadas pela Justiça sobre a tentativa de subverter o resultado das eleições.
Neste ano, a campanha de Lula, que concorre à reeleição, pediu novamente ao TSE a prorrogação da votação —das 17h para as 19h— em dez estados, devido a relatos de transporte público reduzido, o que está em desacordo com as regras eleitorais. O pedido foi atendido. O ministro Cristiano Zanin decidiu estender o horário das eleições no Brasil até às 19h, em todo o país.
Seu rival, Flávio Bolsonaro (PL), também pediu a extensão do horário da eleição em cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, onde uma série de eventos climáticos foi registrada, como chuvas intensas, deslizamentos e bloqueios de vias.
