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Lula sai na frente com 0,25% dos votos computados, mas apuração é suspensa até as 19h
Lula sai na frente com 0,25% dos votos computados, mas apuração é suspensa até as 19h
Por Política Livre
25/10/2026 às 17:50
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação
O presidente Lula (PT) em ato de campanha
A eleição presidencial deste domingo (25) pode produzir um resultado inédito na história democrática brasileira. Desde 1989, quando o país voltou a escolher diretamente o presidente da República, nenhum candidato que terminou o primeiro turno na segunda colocação conseguiu reverter o resultado e vencer a disputa na votação decisiva. É justamente essa possibilidade que está em jogo no confronto entre o presidente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos, ou 1,87 ponto percentual, a menor registrada entre os dois primeiros colocados de uma eleição presidencial desde a redemocratização.
Agora, Lula tenta quebrar uma sequência histórica que atravessa sete eleições presidenciais decididas em segundo turno. Em todas elas, o candidato que saiu na frente na primeira votação confirmou a vitória na segunda.
A expectativa aumentou neste domingo após a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar até as 19h o horário de votação em todo o país. A medida foi adotada diante de denúncias de dificuldades no transporte público de eleitores e de problemas provocados pelas chuvas em diferentes estados.
A apuração chegou a começar às 17h. Nas primeiras parciais divulgadas, Lula apareceu com 57,66% dos votos válidos, contra 42,34% de Flávio Bolsonaro. Com 335.743 votos válidos apurados, ou cerca de 0,25% do total, o TSE mandou suspender a apuração, que retorna a partir das 19h.
Na Bahia, Lula começou este segundo turno com 66,17% dos votos válidos, contra 28,53% de Flávio Bolsonaro. Até agora, apenas 0,2% do total de votos no estado foi apurado.
Histórico - A sequência começou em 1989, quando Fernando Collor terminou a primeira votação com 30,48% dos votos válidos, contra 17,19% de Lula. No segundo turno, o petista conseguiu reduzir a distância, mas Collor venceu por 53,03% a 46,97%.
Em 2002, Lula liderou o primeiro turno com 46,44% e derrotou José Serra (PSDB) na segunda votação, com 61,27%. Quatro anos depois, foi reeleito após conquistar 48,61% no primeiro turno e 60,83% no segundo, contra Geraldo Alckmin.
Em 2010, Dilma Rousseff (PT) também confirmou a liderança inicial. Ela recebeu 46,91% no primeiro turno e venceu Serra no segundo, com 56,05%.
Quatro anos depois, Dilma enfrentou uma disputa mais apertada contra Aécio Neves (PSDB). A petista terminou a primeira votação com 41,59%, contra 33,55% do adversário. No segundo turno, venceu por 51,64% a 48,36%.
Em 2018, Jair Bolsonaro liderou o primeiro turno com 46,03% e derrotou Fernando Haddad (PT) na votação decisiva, com 55,13% dos votos válidos.
O episódio mais recente ocorreu em 2022. Lula terminou o primeiro turno com 48,43%, contra 43,20% de Jair Bolsonaro. Na segunda votação, venceu por 50,90% a 49,10%, na disputa presidencial mais apertada desde a redemocratização.
As eleições de 1994 e 1998 não entram nessa comparação porque Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu ambas ainda no primeiro turno.
Prorrogação - A disputa deste domingo ocorre em circunstâncias diferentes das eleições anteriores. Além da pequena diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno, as pesquisas divulgadas na reta final apontaram equilíbrio entre os candidatos.
A prorrogação da votação até as 19h acrescentou outra variável ao processo eleitoral. A decisão foi tomada após pedidos apresentados pelas duas campanhas, que apontaram dificuldades para o comparecimento de eleitores às urnas.
A campanha de Lula denunciou problemas no transporte público em diferentes estados. Na Bahia, as reclamações envolveram inicialmente Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas.
Já a campanha de Flávio Bolsonaro solicitou a ampliação do horário em localidades de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul afetadas por fortes chuvas.
A decisão de Zanin também provocou dúvidas sobre os procedimentos necessários para manter as seções eleitorais funcionando por mais duas horas. Entre as questões estão a comunicação aos mesários, a situação de eleitores que haviam desistido de votar e a possibilidade de retorno daqueles que não conseguiram chegar aos locais de votação no horário inicialmente previsto.
A extensão do horário não significa, por si só, que haverá mudança no resultado. Também não é possível saber antecipadamente qual candidato poderá ser beneficiado pelo comparecimento adicional de eleitores.
