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Bahia registra menor abstenção em pelo menos 24 anos e maior participação ajuda Lula a ampliar votação
Bahia registra menor abstenção em pelo menos 24 anos e maior participação ajuda Lula a ampliar votação
Por Política Livre
25/10/2026 às 22:05
Foto: Divulgação
Caminhada de Lula em Salvador
A Bahia registrou, neste domingo (25), a menor taxa de abstenção em um segundo turno de eleição presidencial em pelo menos 24 anos. Com 99,57% das urnas apuradas, o índice de eleitores que não compareceram à votação estava em 16,72%, o equivalente a pouco mais de 1,88 milhão de pessoas. O resultado representa uma queda expressiva em relação ao primeiro turno, quando a abstenção chegou a 19,97%, com 2.246.970 eleitores ausentes.
A redução da abstenção foi uma das principais estratégias adotadas pelo PT para o segundo turno, sobretudo nos estados em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia conquistado suas maiores votações na primeira etapa da disputa. A Bahia, maior colégio eleitoral do Nordeste e tradicional reduto petista, esteve entre as prioridades da campanha.
O aumento do comparecimento às urnas contribuiu para ampliar o universo de votos disponíveis e coincidiu com o crescimento da votação de Lula no Estado em relação ao segundo turno de 2022, quando derrotou o então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Neste ano, Lula recebeu 6.472.537 votos na Bahia, contra 6.097.815 conquistados na eleição presidencial anterior. Isso representa um crescimento de 374.722 votos, mesmo depois de o petista já ter alcançado uma votação expressiva no Estado há quatro anos.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL) também conseguiu ampliar a votação do campo bolsonarista na Bahia em comparação com o desempenho do pai. Neste segundo turno, ele recebeu 2.603.858 votos, enquanto Jair Bolsonaro havia conquistado 2.357.028 votos em 2022. O crescimento foi de 246.830 votos.
Apesar do avanço dos dois candidatos, Lula ampliou sua vantagem sobre o adversário no Estado. Em 2022, a diferença em relação a Jair Bolsonaro foi de 3.740.787 votos. Neste ano, a distância para Flávio Bolsonaro chegou a 3.868.679 votos, um crescimento de 127.892 votos na comparação entre as duas eleições.
A queda da abstenção ganha ainda mais relevância porque contraria uma tendência observada em eleições anteriores. Historicamente, o comparecimento costuma diminuir no segundo turno, sobretudo quando a disputa pelo governo estadual já foi definida na primeira etapa, como aconteceu neste ano na Bahia, com a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Desta vez, porém, a mobilização em torno da disputa presidencial levou mais eleitores às urnas. A redução de 19,97% para 16,72% representa uma queda de 3,25 pontos percentuais na abstenção entre os dois turnos.
O resultado também reforça a importância da estratégia adotada pelos aliados de Lula, que concentraram esforços na mobilização dos eleitores, especialmente nos municípios onde o presidente havia conquistado ampla vantagem no primeiro turno. Embora não seja possível determinar em quem votaram os eleitores que compareceram apenas na segunda etapa, a maior participação ocorreu em um cenário favorável ao petista na Bahia.
Queda no Brasil - A redução da abstenção não ficou restrita à Bahia. Nacionalmente, o índice de eleitores ausentes no segundo turno ficou em aproximadamente 19,21%, abaixo dos 21,08% registrados no primeiro turno.
A diferença de 1,87 ponto percentual indica que a disputa decisiva pela Presidência da República mobilizou uma parcela maior do eleitorado brasileiro. Esse aumento do comparecimento ampliou o número de votos em disputa e ocorreu no mesmo momento em que Lula conseguiu reverter a desvantagem registrada na primeira etapa da eleição.
A vitória do presidente também entrou para a história das eleições presidenciais brasileiras. Desde a retomada das eleições diretas para presidente, em 1989, nenhum candidato que terminou o primeiro turno na segunda colocação havia conseguido vencer a disputa no segundo turno.
Lula, portanto, protagonizou uma virada inédita nesse período, depois de terminar atrás de Flávio Bolsonaro na votação de 4 de outubro. Na Bahia, a redução histórica da abstenção e o crescimento da votação petista contribuíram para ampliar a vantagem do presidente sobre o adversário.
