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Alcolumbre articula pautas pró-Lula e busca voto até do PL para se reeleger presidente do Senado
Alcolumbre articula pautas pró-Lula e busca voto até do PL para se reeleger presidente do Senado
Por Adriana Fernandes, Folhapress
14/10/2026 às 15:57
Foto: Carlos Moura/Agência Senado/Arquivo
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), conta com parlamentares de partidos do centrão e até do PL para seu projeto de reeleição em 2027. O voto para a presidência da Casa é secreto e o senador já tem o compromisso de apoio do presidente Lula (PT) para ser reconduzido ao posto.
Um aliado de Alcolumbre disse à Folha que ele mostrará força com a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba a escala de trabalho 6x1 —cuja votação em primeiro turno está prevista para esta quarta (14)—, reforçando o seu projeto de reeleição. A pauta é uma das apostas eleitorais de Lula.
Nos cálculos políticos de Alcolumbre e aliados está a avaliação de que uma eventual presidência do PL no Senado desvalorizaria o peso dos parlamentares da Casa nas negociações dos projetos de interesse do governo federal, caso Flávio Bolsonaro (PL) saia vencedor na disputa presidencial.
Nas negociações para um novo mandato, Alcolumbre tem explorado o sentimento de que ter um presidente do Senado muito alinhado ao Palácio do Planalto —como quer o bolsonarismo— seria ruim para os senadores; inclusive para parlamentares do PL que não têm acesso direto ao núcleo político de Flávio.
Já o argumento voltado a senadores de partidos do centrão busca reforçar que a eleição de Alcolumbre representa um fator de sobrevivência após o resultado das urnas, segundo aliados do presidente do Senado ouvidos na condição de anonimato. O PL elegeu 19 senadores e assegurou a maior bancada da Casa, com 28 das 81 cadeiras.
O discurso desses aliados destaca que, para que os parlamentares sejam respeitados, será preciso um presidente que endureça as negociações e faça valer o voto deles, perfil adotado por Alcolumbre no comando do Senado nos seus dois mandatos.
Senadores eleitos pelo PL e alinhados ao bolsonarismo raiz, como Bia Kicis (DF), pressionam por uma chapa puro-sangue no Senado, respaldada pela votação expressiva do partido nas urnas. O movimento se ampara também nos resultados das urnas no Amapá, onde aliados políticos de Alcolumbre perderam as eleições para governador e Senado.
Kicis, Carol de Toni (PL-SC) e Marcel Van Hattem (Novo-RS) integram a chamada "bancada do grito", formada por parlamentares que hoje são deputados federais e chegarão ao Senado no próximo ano. Eles ganharam notoriedade por fazer muito barulho nas votações em confronto com os adversários. Também pressionam pelo avanço da agenda contra os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
Coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN) está na disputa aberta pela presidência do Senado. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também avisou que está no páreo.
Apontada como "vice dos sonhos" de Flávio, Tereza Cristina almeja os votos de Alcolumbre, no caso de a candidatura do presidente do Senado não se viabilizar. Ela seria a primeira mulher a comandar a Casa. Os dois são amigos e têm o hábito de conversar com frequência.
A senadora já pediu a Alcolumbre para colocar em votação uma PEC defendida por Flávio que acaba com a reeleição e que poderia estender o mandato do próximo presidente de quatro para cinco ou seis anos. A proposta é para que a matéria seja votada após o segundo turno, mas antes do início do próximo governo.
A votação dessa PEC faz parte das negociações do xadrez político que avançou, na última semana, em torno da reeleição no Senado.
