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Lulistas disputam com Nikolas Ferreira narrativa do caso Master, mas opositor tem mais alcance nas redes

Lulistas disputam com Nikolas Ferreira narrativa do caso Master, mas opositor tem mais alcance nas redes

Aliados de Lula reconhecem que crise no STF atrai mais atenção que avanço do fim da 6x1 no Senado

Por Caio Spechoto/Folhapress

04/09/2026 às 20:15

Atualizado em 04/09/2026 às 19:49

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados/Arquivo

Imagem de Lulistas disputam com Nikolas Ferreira narrativa do caso Master, mas opositor tem mais alcance nas redes

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG)

Aliados do presidente Lula (PT) tentam tomar a narrativa do caso Master atacando o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por sua suposta relação com ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Mas, de acordo com especialistas em marketing político ouvidos pela reportagem em condição de anonimato, esbarraram no alcance do adversário nas redes sociais. Com milhões de seguidores nas redes, ele consegue sozinho levar sua versão a mais pessoas do que os aliados de Lula em grupo.

O esforço dos aliados de Lula é para assumir a dianteira na narrativa do escândalo do Banco Master, que mobilizou bolsonaristas nos últimos dias por causa de novas informações que pressionam o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

As notícias sobre a crise no STF causada pelas novas informações sobre a investigação em torno de Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, ganharam as redes sociais e tiveram mais destaque que o avanço no Senado do projeto que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso.

Integrantes de campanhas de políticos aliados a Lula relataram ao jornal Folha de São Paulo que postagens de seus candidatos em redes sociais sobre a crise no STF tiveram circulações muito maiores do que manifestações sobre a proposta que acaba com a escala 6x1 —projeto encarado por petistas como chave para alavancar a popularidade de Lula e seu grupo político contra o principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

As notícias que mobilizaram o grupo político bolsonarista foram veiculadas na terça-feira (1). Foi revelado que Vorcaro, dois dias antes de ser preso prestes a viajar para o exterior, perguntou a Moraes se deveria fugir do país. Além disso, o ministro editou um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e o Master.

As informações deram discurso aos bolsonaristas, que há anos defendem o impeachment de Moraes. O ministro foi o principal responsável pelo processo que condenou Jair Bolsonaro (PL) a prisão por tentativa de golpe.

Depois, na manhã desta quinta-feira (3), veio à tona a informação de que Nikolas Ferreira teria pedido a Vorcaro ajuda na liberação de um "ativo de minério". Em áudios, Vorcaro afirmou ter custeado voos do deputado, de acordo com reportagem do ICL Notícias.

"Esse é o nível de proximidade de Flávio Bolsonaro e Nikolas com Daniel Vorcaro. Que o dono do banco Master bancava a vida e projetos dos dois está provado. Agora é preciso saber o que eles davam em troca. A quebra de sigilo de todo o caso Master precisa acontecer!", disse em redes sociais o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP).

"O Uber do Nikolas tá diferente", publicou o PT em seu perfil oficial no X, antigo Twitter, em referência aos voos supostamente bancados por Vorcaro. "Qual mentira ele vai contar agora?", escreveu o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ).

O alcance de Nikolas em redes sociais, porém, é um obstáculo para os petistas. Líder em relevância nas redes, ele tem condições de, sozinho, se contrapor a essas acusações, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.

Ranking da Nexus divulgado em julho tratando do desempenho nas redes sociais, com base em um grupo de congressistas dos espectros de direita, centro e esquerda com maior número de seguidores nas plataformas, mostrava Nikolas em primeiro lugar de um total de 14 perfis analisados. O índice de Nikolas era mais que o dobro do registrado pelo segundo colocado, Fábio Teruel (MDB-SP).

Nikolas respondeu à notícia de quinta com um vídeo em que cita as acusações contra Moraes e outras autoridades mencionadas no escândalo. Também diz que houve ajuda de Vorcaro em 2022 com o transporte na campanha de segundo turno de Jair Bolsonaro, mas que na época ainda não havia indícios de crimes vinculados ao banqueiro.

"Eu não faço parte dessa putaria de Brasília. Eu nunca recebi um tostão do Vorcaro. Eu nunca encontrei com ele", afirma o deputado na peça.

No núcleo de campanha de Lula, a disputa foi vista como uma escaramuça restrita ao ambiente digital. O petista tenta se distanciar de Moraes, de quem foi próximo nos últimos anos, para evitar desgastes. A ordem no grupo do presidente da República é promover a ideia de que ninguém está acima da lei, nem um ministro do Supremo.

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