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Lula prevê crise no Senado e critica candidatos 'independentes' da base aliada

Lula prevê crise no Senado e critica candidatos 'independentes' da base aliada

Petista afirma que maioria oposicionista na Casa pode levar país a uma 'crise sem precedente'

Por Italo Nogueira/João Pedro Pitombo/Folhapress

25/09/2026 às 17:15

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Imagem de Lula prevê crise no Senado e critica candidatos 'independentes' da base aliada

O presidente Lula e a primeira-dama Janja

As vaias ao deputado Pedro Paulo (PSD), candidato ao Senado no Rio de Janeiro, em evento de Lula nesta quarta-feira (23) expuseram as preocupações do presidente com a divisão na base aliada na disputa pelas cadeiras na Casa legislativa.

O petista criticou as candidaturas independentes, citou derrota anterior em cenário semelhante e previu uma "crise sem precedente" caso tenha que cumprir um quarto mandato com minoria no Senado. O cenário do Rio de Janeiro se repete também no Nordeste.

No Rio de Janeiro, a base petista apoia a deputada Benedita da Silva (PT) ao cargo, mas se divide na segunda vaga entre Pedro Paulo e a vereadora Mônica Benício (PSOL). Os três disputam palmo a palmo nas pesquisas com bolsonaristas do PL e outros nomes de direita, como o deputado Marcelo Crivella (Republicanos).

Pedro Paulo foi vaiado ao ser citado pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), durante encontro com artistas. O público se manifestou em favor de Benício, mas Lula saiu em defesa da aliança.

"Não temos mais idade para brincar. O que está em jogo é muito sério. Se não fizermos maioria no Senado, a gente corre o risco de esse país entrar numa crise sem precedentes", afirmou.

O tema voltou a ser abordado pelo petista na agenda desta quinta-feira (24), desta vez ao lado do próprio Pedro Paulo, em São Gonçalo.

Nas duas ocasiões, Lula lembrou a divisão da esquerda na disputa pelo Senado em 2022 no Rio Grande do Norte, quando Rafael Motta (PSB) concorreu ao cargo de forma independente, disputando votos com Carlos Eduardo Alves, (PDT), ambos da base do petista.

Quando as urnas foram abertas, mostraram que o oposicionista Rogério Marinho (PL) havia vencido com 41,8% dos votos, e ele se tornou líder da oposição. Carlos Eduardo teve 33,4%, e Rafael Motta, 22,8%. A governadora Fátima Bezerra (PT) foi reeleita.

"Um governador de estado não cria caso com o presidente da República, mas um senador atrapalha muito a vida do presidente", disse Lula aos apoiadores de Mônica Benício.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (24), Pedro Paulo tem 9% das intenções de voto, e Mônica, 6%. Os dois estão atrás de Benedita (19%) e de Carlos Jordy (PL) e Carlos Portinho (PL), ambos com 12%. Crivella tem 7%.

À Folha a vereadora, viúva de Marielle Franco (PSOL), disse que as pessoas "sabem que Pedro Paulo não é confiável". A fala é uma referência ao voto favorável do deputado ao impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Ele se diz arrependido do posicionamento.

"Lula falou em 2002 que não dava para ser meio feliz, tinha que ser feliz por inteiro. Eu compartilho essa visão. Nossa candidatura despertou esperança, movimentou as bases e atraiu direções do PT, porque as pessoas reconhecem o meu comprometimento", disse ela.

No evento em São Gonçalo, ao lado de Lula, Pedro Paulo prometeu lealdade ao petista.

As pesquisas nos estados têm indicado a possibilidade de a bancada do PL e da base bolsonarista ser ampliada no Senado, com ao menos 24 competitivos só no partido para as 54 vagas em disputa.

O cargo se tornou uma prioridade para viabilizar o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), uma das bandeiras do grupo. O PL conta com aliados de outras legendas para tentar alavancar a pauta, como Novo e PSD.

A preocupação de Lula com o Rio de Janeiro se estende a outros estados, especialmente no Nordeste, onde a pulverização de candidaturas no campo lulista pode favorecer a ascensão de candidatos ao Senado de partidos de oposição.

Em Pernambuco, a candidatura ao Senado do deputado federal Mendonça Filho (PL) acende o alerta da base lulista, que concorre com Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT). Correm na mesma raia nomes como Túlio Gadêlha (PSD) e Paulo Rubem Santiago (Rede).

O cenário é semelhante no Rio Grande do Norte: a chapa petista é formada por Samanda (PT) e Rafael Motta (PDT), mas disputam votos lulistas a senadora Zenaide Maia (PSD) e os candidatos do PSOL, Sandro Pimentel e Sonia Godeiro. O líder nas pesquisas é o conservador Styvenson Valentim (Podemos).

No Maranhão, cinco candidatos ao Senado de quatro chapas diferentes apoiam o presidente. Os senadores Eliziane Gama (PT) e Weverton Rocha (PDT) disputam a reeleição, mas concorrem com nomes como André Fufuca (PP), Roseana Sarney (MDB) e Enilton Rodrigues (PSOL).

No Pará, onde o PT apoia a reeleição da governadora Hana Ghassan (MDB), o ex-governador Helder Barbalho (MDB) é o favorito para vencer a primeira vaga para o Senado. Mas as pesquisas colocam o delegado bolsonarista Eder Mauro (PL) como nome competitivo para levar a segunda vaga, enquanto disputam entre si no campo lulista nomes como Chicão (União Brasil) e Celso Sabino (PDT), além de candidatos de partidos menores, caso de Conti e Gizelle Freitas, ambos do PSOL.

Até mesmo na Bahia, onde o PT tem chances de conquistar as duas vagas ao Senado com o ex-ministro Rui Costa e o senador Jaques Wagner, setores do eleitorado de esquerda indicam votar em Delliana Ricelli (PSOL). No campo da direita, João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos) disputam as duas cadeiras.

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