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Ex-ministra do STJ, Eliana Calmon diz que investigação contra Moraes vai implodir a República e pode prejudicar as eleições
Ex-ministra do STJ, Eliana Calmon diz que investigação contra Moraes vai implodir a República e pode prejudicar as eleições
Eliana Calmon diz que 'bandidos de toga' estão no STF e que novas apurações podem comprometer o Congresso às vésperas do pleito
Por Gabriela Echenique/Folhapress
18/09/2026 às 17:45
Foto: Divulgação/Agência CNJ/Arquivo
A ex-ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ex-corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon
A ex-ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ex-corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon, que defendia abertura de investigação contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, diz que uma apuração séria pode implodir a República e que os bandidos de toga estão na Suprema Corte.
A declaração foi feita em entrevista à coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, após a sessão tumultuada da última terça-feira (15) que nem chegou a discutir a abertura de investigação contra o ministro por ter mantido conversas com o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro.
Para a ministra, as eleições podem ser prejudicadas, caso uma apuração seja feita. Calmon também afirmou que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, não tem mais condições de conseguir consenso no tribunal, criticou a postura do ministro Flávio Dino e disse que o STF "está sangrando".
Após a sessão de terça-feira (15), defende que o STF abra uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes?
Estou profundamente confusa. Defendi, até aqui, uma apuração séria pelo rumo que as investigações tomaram. Acho que seria a oportunidade de começarmos a fazer a limpeza, mesmo que custasse a desmoralização do STF. Mas agora não sei o que vai ser pior. Estou muito preocupada. Porque, se abrir uma investigação, essa República vai implodir. Porque isso chegará ao Congresso e à Presidência e, ainda, nas vésperas de uma eleição. Eles dominam as instituições, o Congresso, o STF, a OAB. E se eles se sentirem acuados [aliados de Moraes], as eleições podem ser prejudicadas. Se pegar um, vai chegar até os outros, até porque Moraes já disse que não cai sozinho.
Qual a avaliação que faz da atuação do presidente da Corte, o ministro Edson Fachin? Ele saiu enfraquecido entre os ministros após a sessão.
Acho que Fachin não está mal intencionado, mas não conduziu bem, deixou pontas soltas. A turma do Moraes conseguiu provocar um tumulto na sessão porque as coisas não foram bem pontuadas pelo presidente. Foi aí que ele começou a titubear na condução. Até começou fortalecido, mas depois ficou desarmado. Deveria ter ido mais preparado. Por exemplo, não ficou decidido se aquele é um processo criminal ou administrativo. Em caso de empate, o critério de desempate muda conforme o tipo de processo. Além disso, ele poderia ter definido o prazo para devolução do pedido de vista. Como não o fez, Dino pode ficar com o processo por até 90 dias. Por último, fiquei assustada em ver que Moraes estava votando no processo em que ele é acusado. Ele não podia votar naquilo.
O ministro Flávio Dino elevou o tom e, nos bastidores, têm sido criticado até pelo governo Lula. A senhora acha que ele passou do ponto?
Com certeza. Em todo tribunal, a máxima é de que é preciso investigar o presidente. Se você transforma aquilo numa taberna, acaba o respeito. O que vi na terça não tinha visto em todos os meus anos quando estive no Judiciário. Nunca tinha visto isso. Eu discordava do presidente da sessão, cheguei a dar murro na mesa, mas nunca faltei com respeito. O que vi no STF foi um escândalo.
Como fica a imagem do STF, na sua avaliação? A instituição perdeu credibilidade?
Acho que as instituições estão esfaceladas. O STF está descredibilizado, ele vem sangrando, sangrando e, agora, não tem mais como catar os cacos. O Supremo derreteu. Os bandidos de toga estão lá. Mas, infelizmente, ainda tenho dificuldade de ver com nitidez o que é possível ser feito. Estamos num beco sem saída.
