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Flávio lança candidatura ao Planalto e mira memória de Jair Bolsonaro em fala ao lado de Milei e Tarcísio
Flávio lança candidatura ao Planalto e mira memória de Jair Bolsonaro em fala ao lado de Milei e Tarcísio
Por Ana Luiza Albuquerque e Carolina Linhares, Folhapress
25/07/2026 às 15:41
Foto: Reuters/Folhapress
Evento teve a presença de Milei, Tarcísio e mensagem de Michelle
O PL oficializou a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o filho 01 de Jair Bolsonaro (PL), como candidato à Presidência da República em uma convenção verde-amarela no Pacaembu, em São Paulo, neste sábado (25).
O discurso de Flávio foi em grande parte dedicado a menções ao pai, com referências a si próprio como "o filho mais velho do capitão".
No telão, foi transmitida uma reprodução de inteligência artificial do ex-presidente, com um recado de apoio ao filho. "Peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio", disse o Bolsonaro de conteúdo sintético.
O senador chorou ao começar a falar do ex-presidente, ao mesmo tempo que a produção do evento colocou uma música triste para tocar.
Flávio disse que o pai é perseguido, injustiçado e vítima "da maior farsa" da história do país. "Faço questão de dizer a cada um de vocês que sei exatamente o tamanho da responsabilidade que meu nome carrega, o filho mais velho do capitão, o homem que defendeu a liberdade com a própria vida."
O presidenciável do PL disse que, se Lula for reeleito, o Brasil vai caminhar para a ditadura. "Imagina ele indicando [ao STF] mais quatro Alexandres de Moraes para onde o Brasil vai?", questionou. Defendeu também que os "poderes voltem a respeitar a Constituição e sejam independentes e harmônicos entre si".
Flávio resumiu suas propostas ao dizer que filhos devem ser "estudantes e não militantes", que o agro deve ser "respeitado e não endividado" e que o salário vai voltar a durar até o fim do mês. Também defendeu castração química para estupradores de crianças e que fiquem mais tempo presos os que "enfiam o cacete em mulher".
Também foi transmitido no telão um recado de Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, que afirmou que Flávio é um grande defensor do Brasil. "Você é um campeão da amizade entre nossos povos (...) Eu sei que você conduzirá o Brasil a patamares cada vez mais elevados", disse.
No palco, Flávio, que tenta diminuir a rejeição das mulheres à sua candidatura, se cercou de figuras femininas: sua mãe, Rogéria; sua mulher, Fernanda, que deve ganhar protagonismo na campanha; e sua aliada e nome preferido para a vice, Daniella Marques (Republicanos). "Você é muito mais que só meu pilar, você é minha coluna vertebral", afirmou à mulher.
O presidente da Argentina, Javier Milei, veio ao Brasil especialmente para a convenção, que teve também a participação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), além de uma série de congressistas e candidatos do PL.
Milei chamou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de "lixo" por não ter autorizado que ele visitasse Bolsonaro. Também exaltou a liberdade, criticou o socialismo e disse a Flávio que se prepare para uma grande batalha.
Apesar da festa, os sinais de isolamento de Flávio ficaram evidentes no evento, que não teve a presença de nenhum presidente nacional de outros partidos. O PL quer repetir a coligação de Bolsonaro em 2022 com a federação União Brasil-PP e o Republicanos, mas as legendas indicam preferir a neutralidade desta vez.
A falta de uma coligação deixou Flávio sem um candidato a vice a ser apresentado em sua convenção —a expectativa era de que partidos aliados indicassem um nome, de preferência uma mulher. A campanha quer bater o martelo até 5 de agosto, prazo final das convenções.
Em seu discurso, Tarcísio, que foi preterido por Bolsonaro para o Planalto, disse que "Flávio está aqui não pelo sobrenome". Afirmou ainda que a esperança está com Flávio, "uma pessoa que vai honrar o pai e o legado" e será "o maior presidente da história".
Tarcísio criticou o PT e disse que "São Paulo prospera porque nunca foi governado pela esquerda". Ele pediu ao público que busque votos e convença os indecisos: "não tem espaço mais para o cansaço, a gente não pode mais se poupar, são 70 dias de trabalho e sacrifício".
Estavam no palco ainda o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e candidatos a governador pelo PL, como Sergio Moro (PR), e ao Senado, como André do Prado (SP). O evento começou com o hino nacional e 22 segundos de silêncio em alusão à suposta tentativa de calar a direita no Brasil, nas palavras do cerimonialista.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) participou por meio de um recado em vídeo. Ela afirmou que não pode estar no evento por estar em casa cuidando do "seu galego". Seu discurso foi voltado para a importância da participação das mulheres na política, assim como o desenvolvimento do PL Mulher, do qual ela deixou a presidência em meio ao conflito público com o enteado.
Michelle não elogiou Flávio diretamente, mas pediu "que Deus abençoe e proteja" sua candidatura e desejou força para a família dele para cumprir a missão "com a lealdade que nosso povo merece". "Quando mulheres e homens de bens se unem para fazer o que é certo nenhuma dificuldade é maior que nossa coragem."
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que disse não ter conseguido comparecer ao evento por não ter conseguido decolar devido ao mau tempo, também enviou um recado de vídeo apoiando Flávio.
O evento ocorreu num centro de convenções no interior do estádio do Pacaembu, na região central de São Paulo, com a presença de milhares de apoiadores vestidos de verde e amarelo. Havia algumas pessoas com roupas ou bandeiras que faziam referência a Israel, aos Estados Unidos e ao presidente americano Donald Trump. Nas bandeiras, aparecia o slogan "Vem com fé que o Brasil vai prosperar", numa alusão ao jingle da campanha de Flávio.
Havia também bonecos de papelão do ex-presidente Bolsonaro, de Flávio, do candidato do PL ao Senado por SP, deputado André do Prado (PL), e de Michelle, com quem o candidato à Presidência trocou gestos de reconciliação há dois dias.
Em meio ao discurso de Flávio, cerca de duas horas após o início do evento, grupos de apoiadores começaram a deixar o centro de convenções, que foi ganhando espaços vazios.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora nos EUA alegando ser perseguido, enviou um recado em vídeo, em tom mais radical. Disse que "vai ser todo dia estressante" e que tem gente da direita que acredita "que a gente tenha feito um acordo com o sistema".
Ele afirmou que a missão do irmão é "combater essa corja do Foro de São Paulo" e "soltar Bolsonaro e os presos do 8 de Janeiro", fazendo a onda azul da América Latina chegar ao Brasil.
Pré-candidato ao Senado em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) também participou por vídeo. "Como qualquer família, tivemos momentos de concordância e divergência", disse em um discurso que fez o irmão chorar.
Carlos disse que foi seu pai quem "abriu os olhos das pessoas para a força do sistema e o que ele faz contra quem se levanta contra ele".
Rogério Marinho afirmou em seu discurso que, "mais do que nunca", é preciso "radicalizar". "Somos acusados de radicais porque defendemos o direito de propriedade, porque radicalizamos a defesa dos valores que inspiram a sociedade brasileira."
Disse, também, que o grupo será o porta-voz da mensagem de Bolsonaro e que a "grande responsabilidade" assumida por Flávio será compartilhada por todos, para que o "fardo" se torne mais leve. "Tentaram calar Bolsonaro, mas nós seremos a sua voz."
Em sua fala, André do Prado procurou Flávio e o deputado federal Guilherme Derrite (PP), que também disputa o Senado em SP, para darem as mãos.
Pupilo de Valdemar que vem buscando validação no meio bolsonarista, André afirmou que "ninguém está acima da lei" e, em referência ao Judiciário, disse que "se cometeu crime de responsabilidade tem que arcar com as consequências". A direita bolsonarista tem a expectativa de fazer uma grande bancada no Senado para pautar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Na véspera da convenção, o Datafolha mostrou um cenário de estabilidade na intenção de votos, com Lula (PT) à frente, marcando 48% num eventual segundo turno contra Flávio, que tem 43%.
A convenção partidária é o ato formal em que partidos e federações se reúnem para escolher os candidatos que disputarão os cargos em outubro. Os candidatos escolhidos têm que ser registrados na Justiça Eleitoral até 15 de agosto, e a campanha começa oficialmente no dia seguinte.
