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Lucro das companhias aéreas deve cair pela metade em 2026, prevê associação internacional

Lucro das companhias aéreas deve cair pela metade em 2026, prevê associação internacional

América Latina deve enfrentar desaceleração mais acentuada, com lucro caindo 37% na região

Por Paulo Ricardo Martins/Folhapress

07/06/2026 às 14:00

Atualizado em 07/06/2026 às 14:01

Foto: Divulgação

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Preço do combustível de aviação subiu 70%, impactando resultados financeiros das empresas do setor

O lucro das companhias aéreas cairá para US$ 23 bilhões (cerca de R$ 119 bilhões), segundo previsão da Iata (Associação Internacional do Transporte Aéreo) divulgada neste domingo (7) durante a 82ª Assembleia-Geral Anual da entidade, realizada no Rio de Janeiro neste fim de semana.

O número representa metade do lucro estimado em 2025 (US$ 45 bilhões). Anteriormente, a associação previa, em 2026, lucro de US$ 41 bilhões. A previsão considera companhias aéreas de todos os continentes.

Segundo Willie Walsh, diretor-geral da Iata, as empresas aéreas foram impactadas pelos efeitos da guerra no Irã e pela alta no preço dos combustíveis.

"Todos os resultados financeiros das companhias aéreas estão sendo afetados pela rápida alta de 70% nos preços do combustível de aviação. Parte desse custo adicional está sendo compensada por ajustes de preços e ganhos de eficiência, mas isso não será suficiente para manter a lucratividade nos níveis do ano anterior", disse Walsh durante discurso neste domingo.

De acordo com Walsh, companhias menores, que iniciaram o ano com balanços financeiros mais frágeis, estão enfrentando dificuldades. "Em nível regional, todas as regiões continuam no azul, mas com desempenho financeiro significativamente reduzido".

A exceção, segundo ele, são as companhias aéreas do Oriente Médio, que vivem um cenário ainda pior.

"As empresas do Golfo enfrentam incertezas operacionais após o fechamento quase total do espaço aéreo no início da guerra. Essas companhias estão fazendo um trabalho extraordinário para manter a conectividade, mas impactos financeiros significativos são inevitáveis", afirmou Walsh.

Ainda de acordo com as previsões da Iata, a margem líquida de lucro das companhias aéreas deve ser de 2,0% em 2026, quase metade dos 3,9% previstos anteriormente. Também representa menos da metade da estimativa de 4,2% para 2025.

Já o lucro líquido por passageiro transportado deve ser de US$ 4,50, metade dos US$ 9,10 alcançados em 2025.

Segundo a entidade, o lucro operacional das empresas em 2026 deve atingir US$ 48 bilhões, queda superior a 37% em relação ao ano anterior. A margem operacional líquida deve ser de 4,1%, contra 7,2% em 2025.

A previsão aponta para um retorno sobre o capital investido de 4,3%, abaixo do custo médio ponderado de capital estimado em 8,5%. "Essa diferença volta a evidenciar a fragilidade estrutural do setor aéreo, no qual choques de rentabilidade corroem rapidamente a eficiência do capital", diz a associação em nota.

Apesar do cenário difícil, o fator de ocupação das aeronaves deve continuar batendo recordes, diz a Iata. As companhias aéreas preencherão, em média, 84% dos assentos disponíveis ao longo do ano, acima dos 83,5% registrados em 2025, segundo a previsão.

O número de passageiros transportados, por sua vez, deve atingir 5,1 bilhões em 2026, crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior.

AMÉRICA LATINA PODE TER DESACELERAÇÃO MAIS ACENTUADA

De acordo com as estimativas da Iata, o lucro das companhias aéreas da América Latina deve alcançar o patamar de US$ 1,2 bilhão em 2026, queda de quase 37% na comparação com o ano passado. Na mesma base comparativa, a margem líquida de lucro deve cair de 3,8% para 2,1%

A entidade diz que as condições de demanda na América Latina continuam mais sensíveis do que em outras regiões, refletindo níveis de renda mais baixos e uma menor participação das viagens de negócios na demanda total por transporte aéreo.

"As companhias aéreas latino-americanas normalmente operam com menor flexibilidade financeira em seus balanços e custos de financiamento mais elevados, o que restringe sua capacidade de absorver choques ou investir na expansão de frota e de rotas. A relação entre o Ebit (lucro antes de juros e impostos) e a margem líquida é cerca de quatro vezes superior à média global, evidenciando essa limitação, que reduz a capacidade das empresas de reagir de forma dinâmica a mudanças na demanda ou nos custos", afirma a Iata em nota.

Ainda segundo a associação, esses fatores sugerem que a região provavelmente enfrentará uma desaceleração mais acentuada do crescimento, mesmo que a demanda permaneça positiva.

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