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Jaques Wagner negou vínculo com Vorcaro em discurso no Senado antes de operação

Jaques Wagner negou vínculo com Vorcaro em discurso no Senado antes de operação

Por Raisa Toledo, Estadão Conteúdo

18/06/2026 às 13:45

Atualizado em 18/06/2026 às 13:29

Foto: Política Livre/Arquivo

Imagem de Jaques Wagner negou vínculo com Vorcaro em discurso no Senado antes de operação

O senado Jaques Wagner (PT-BA)

Dois dias antes de ser alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), usou o plenário da Casa para rebater suspeitas envolvendo seu nome nas investigações sobre fraudes no Banco Master.

Ele chamou de "leviana" reportagem da revista Veja sobre a segunda proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono da instituição, e afirmou que não foi procurado sobre as acusações. Segundo a publicação, um capítulo do acordo de delação falava sobre negócios do Master com integrantes do governo da Bahia, com relato do banqueiro sobre um sistema de empréstimo consignado vinculado à folha de pagamento dos servidores estaduais.

"A capa da Veja fala que revelará os negócios do PT da Bahia, coisa que vem sendo repetido por diversas vezes e eu já desafiei vários a me mostrarem qual foi a investigação da (Polícia) Federal que encontrou algo sobre o meu comportamento e o comportamento do ex-governador Rui Costa", afirma o parlamentar em trecho de sua fala no plenário publicado nas redes sociais.

Na ocasião, ele pediu a palavra depois que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se disse alvo de "ataque pessoal e institucional" pela mesma edição da revista, que apontava citação a seu nome na proposta de delação.

Jaques Wagner manifestou solidariedade a Alcolumbre, ressaltou que a delação mencionada na reportagem foi negada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e criticou as condições em que ela foi obtida. Segundo ele, o Congresso Nacional "cometeu um erro" ao aprovar lei que permite colaboração com pessoas presas.

"Talvez, naquele momento, a gente não tenha se dado conta da violência. O instituto da colaboração é para alguém que esteja em liberdade e resolva colaborar para evitar que seja eventualmente preso. Para alguém que está preso, que tipo de coação tem? Vai voltar para a Papuda? Não vai voltar para a Papuda?", disse.

O senador ainda negou relação com Daniel Vorcaro. "Eu estou muito à vontade porque conheci esse senhor duas vezes, uma vez em Salvador e uma vez em São Paulo. Não tenho nenhuma relação com ele, não tenho nenhum negócio. Aliás, eu não tenho nem CNPJ, eu só tenho CPF", declarou.

A PF suspeita que Jaques Wagner tenha recebido um imóvel de R$ 2,5 milhões como propina do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master, por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares. Segundo os investigadores, a tratou-se de uma contrapartida por ações do senador a favor dos interesses do Master e de Augusto Lima. A corporação também apura suspeitas de pagamento de propina do banco para a empresa de um familiar do senador.

Além de Jaques Wagner, os investigadores cumprem buscas em empresas e residências de Augusto Lima na Bahia, São Paulo e Brasília. Lima foi o responsável por implementar no governo da Bahia, quando Wagner era governador (2007-2014), um sistema de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Banco Master. O Credcesta constituía o principal ativo financeiro do banco.

A defesa do empresário informou que "as diligências realizadas pela Polícia Federal eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração." Jaques Wagner também foi procurada pelo Estadão, mas ainda não se manifestou.

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