/

Home

/

Noticias

/

Mundo

/

Irã ataca Israel pela 1ª vez desde cessar-fogo de abril

Irã ataca Israel pela 1ª vez desde cessar-fogo de abril

Escalada coloca em risco tentativa de paz de Trump, que pede para que o Irã feche logo um acordo

Por Igor Gielow/Folhapress

07/06/2026 às 18:45

Foto: Reprodução/Instagram

Imagem de Irã ataca Israel pela 1ª vez desde cessar-fogo de abril

Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano e negociador do acordo de paz

Forças do Irã lançaram neste domingo o primeiro ataque com mísseis contra Israel desde o cessar-fogo válido desde 17 de abril entre o Estado judeu, os Estados Unidos e a teocracia.

A ação ocorreu após Tel Aviv atacar o Hezbollah em um subúrbio de Beirute também pela primeira vez desde a trégua, que havia suspendido a guerra lançada por Donald Trump e Binyamin Netanyahu em 28 de fevereiro.

Com isso, o já frágil equilíbrio vigente no Oriente Médio, que assiste a uma guerra abafada em que EUA e Irã trocam ataques pontuais e os israelenses já dominam 20% do território libanês, algo inédito desde a ocupação de 1982-2000, está novamente sob ameaça de implosão.

A natureza do ataque do Irã, contudo, sugere uma escalada comedida: foram lançadas ao menos três barragens contra posições militares israelenses no norte de Israel, de onde é executada a operação militar contra o Hezbollah. A Guarda Revolucionária afirmou ter mirado a base aérea de Ramat David, na região.

"Vocês lançaram seus mísseis, já chega. Voltem à mesa e façam um acordo", afirmou Trump em entrevista à Fox News. Ao Canal 12 israelense, o americano disse que pedirá a Netanyahu que não escale os ataques ao Irã. Segundo o Exército de Tel Aviv, os projéteis foram interceptados e não houve danos.

O presidente se queixou, à Fox, de que "estava tudo pronto para assinar um acordo na segunda, terça ou quarta, e agora isso". Não há evidências de que o acerto estava tão próximo, apesar da intensa movimentação dos últimos dias, que foi acompanhada de trocas de fogo pontuais entre os rivais.

Um dos mais radicais ministros israelenses, Itamar Ben-Gvir (Interior), já havia dito no tom de sempre que "Teerã vai queimar nesta noite". Antes, o negociador iraniano Mohammad Ghalibaf, o presidente do Parlamento, havia repetido a usual ameaça de atacar bases americanas em todo o Oriente Médio.

Não houve relato ainda de ataques a Tel Aviv, Jerusalém ou a bases aéreas do centro e sul do país, sugerindo uma sinalização de força de Teerã enquanto tenta romper o impasse das negociações com os EUA.

Trump as induz com o mesmo voluntarismo com que o presidente americano começou a guerra, apoiado pelo premiê israelense. O republicano foi e voltou diversas vezes na ameaça de retomar os ataques ao Irã, mas até aqui não conseguiu que a pressão lograsse seu primeiro objetivo: reabrir o estreito de Hormuz.

A via, que antes da guerra canalizava 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito, a teocracia transformou em uma moeda de barganha estratégica. Na prática, os iranianos estão conseguindo impor o pedágio que querem ter para a passagem de navios pelo local.

Pelo acordo que vinha sendo costurado com apoio de países árabes, o estreito seria reaberto e as hostilidades cessariam de vez. Um período de 60 dias seria usado então para negociar motivos de fundo de discórdia, como o temor de que o programa nuclear iraniano dê à luz uma bomba atômica.

Os interesses israelenses são diversos. Após a trégua com Teerã, Netanyahu reforçou seus ataques contra o Hezbollah. Ao mesmo tempo, abriu uma negociação de paz com o Líbano, mas a situação é algo kafkiana, pois os extremistas pró-Irã não participam da conversa.

Assim, desde que foi acertado um cessar-fogo entre ambos os lados, ainda que Beirute não fosse uma beligerante, foram decretadas tréguas dentro da trégua para que Netanyahu se controlasse. Isso não aconteceu, e na semana passada ele e Trump tiveram uma dura conversa.

Nela, o americano o chamou de "louco para c...", algo que confirmou depois do relato vazar na imprensa dos EUA. Depois, Netanyahu buscou dizer que eram apenas divergências normais, ciente de que Trump não pode prescindir de seu maior aliado no Oriente Médio em meio a uma situação tão tensa.

Assim, o Estado judeu seguiu em frente. Os ataques deste domingo, que provocaram a retaliação do Irã, foram os primeiros também desde o cessar-fogo contra uma região ao sul de Beirute, Dahiyeh, que é densamente povoada.

Segundo as Forças de Defesa de Israel, a ação respondia ao lançamento de foguetes contra o norte israelense, de resto uma rotina diária. Desde o cessar-fogo, os israelenses contam mais de 3.500 projéteis disparados naquela frente.

Além disso, os militares de Tel Aviv mantêm suas ações no sul libanês, que ultrapassaram a barreira usual do rio Litani, que sempre serviu de fronteira para a zona-tampão entre suas forças e as do Hezbollah nas tentativas anteriores de acordos de paz. Nesse domingo, Israel emitiu um alerta de retirada de moradores para Tiro, no sul do vizinho.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.