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Governo empurra leilões de ferrovias para ano que vem depois de atrasos no cronograma de concessão

Governo empurra leilões de ferrovias para ano que vem depois de atrasos no cronograma de concessão

Ministério dos Transportes diz que acelera projetos com órgãos externos e que vai publicar ao menos cinco editais no segundo semestre

Por André Borges/Folhapress

05/06/2026 às 17:00

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de Governo empurra leilões de ferrovias para ano que vem depois de atrasos no cronograma de concessão

Concessões de ferrovias que o governo federal pretendia leiloar em 2026 estão com cronogramas atrasados

As oito concessões de ferrovias que o governo federal pretendia leiloar ao longo de 2026 estão com cronogramas atrasados, e boa parte dos projetos já foi adiada para 2027.

O plano do Ministério dos Transportes era levar ao mercado, neste ano, uma carteira de projetos de ferrovias de R$ 140 bilhões em investimentos, além de outros R$ 516 bilhões ligados às operações desses trechos. A agenda incluía a publicação do edital de cada malha e seu respectivo leilão três meses depois. Nenhuma previsão, porém, se cumpriu, e todos os projetos estão adiados.

O cronograma original previa que oito projetos teriam seus editais e leilões realizados neste ano. Apenas um nono trecho, a malha norte da Ferrovia Norte-Sul, que teria seu edital publicado em dezembro, seria objeto de leilão em março de 2027. O governo, porém, foi obrigado a refazer o plano.

Por trás do atraso estão vários fatores. Entre eles, a necessidade de ajustes em estudos técnicos, avaliação e elaboração das minutas dos editais pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e a tramitação de cada projeto no TCU (Tribunal de Contas da União).

Questionado sobre o assunto, o Ministério dos Transportes afirmou que "os cronogramas refletem a complexidade e o caráter inovador da nova política ferroviária nacional, que envolve instrumentos inéditos para ampliar a segurança jurídica, regulatória e financeira dos projetos".

A mudança mais drástica envolve três projetos ligados à antiga Malha Sul, que terá de ser quase toda reconstruída. Até o início do ano, a previsão era de que os corredores Paraná-Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul seriam leiloados em dezembro deste ano. Agora, na melhor das hipóteses, os três leilões ficarão para março de 2027.

Já a extensão norte da Ferrovia Norte-Sul, trecho entre Açailândia (MA) e Barcarena (PA), foi adiada em sete meses, passando de março para outubro de 2027.

Outros dois projetos cruciais da carteira – o Corredor Oeste-Leste (Fico-Fiol) e a Ferrogrão – foram reprogramados para ir a leilão apenas em dezembro deste ano, o que joga mais incertezas sobre este cronograma.

O plano original previa que a Fico-Fiol e seus 1.647 quilômetros, entre Caetité (BA) e Água Boa (MT), fossem oferecidos em leilão da B3 em agosto deste ano. Já a Ferrogrão, desenhada para ligar Itaituba (PA) a Sinop (MT) em 933 quilômetros, tinha previsão de ir a mercado em setembro.

Da lista dos nove projetos, portanto, sobram três ferrovias que, até o momento, dão sinais mais claros de que podem ter objeto de leilão em 2026, apesar dos atrasos já confirmados.

O Anel Ferroviário Sudeste (EF-118) iria a leilão em junho, mas até o momento não teve seu edital publicado. A oferta foi reprogramada para setembro. Com 245,95 quilômetros (na fase obrigatória da concessão), a ferrovia será construída do zero e ligará São João da Barra, no norte fluminense, a Santa Leopoldina, no Espírito Santo.

Já o Corredor Minas-Rio, que tinha previsão de ser leiloado em abril, segue em análise no TCU. Seu leilão foi reprogramado para outubro, quando Brasil irá às urnas escolher o próximo presidente da República.

Na sequência, aparece a já existente Ferrovia Malha Oeste, que tinha leilão agendado para julho e, agora, tem previsão de ser oferecida em novembro. O trecho prevê a reconstrução de 1.593 quilômetros, interligando Corumbá (MS) a Mairinque (SP).

NOVA PROGRAMAÇÃO

Os novos prazos passaram a ser apresentados para investidores nacionais e estrangeiros.

Entre as medidas adotadas pelo Ministério dos Transportes, estão mecanismos de investimentos cruzados, aportes com recursos do orçamento federal e garantias via FDIRS (Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Regional Sustentável), além de interoperabilidade entre as malhas e redução de risco de demanda.

"O Ministério dos Transportes trabalha para publicar, no segundo semestre deste ano, pelo menos cinco editais estratégicos para o setor ferroviário: EF-118, Malha Oeste, Ferrogrão, Fico-Fiol e o chamamento público da Minas-Rio", afirmou a pasta.

O novo modelo de concessão, disse a pasta, tem sido construído com o TCU, a ANTT, a AGU (Advocacia-Geral da União), a ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários) e o CFC (Conselho Federal de Contabilidade), para estruturação dos projetos.

"O chamamento público da Minas-Rio também será o primeiro processo do setor ferroviário voltado à destinação de trechos devolvidos por meio de contratos de autorização, servindo como referência para uma carteira de 28 novos chamamentos públicos simplificados previstos para o segundo semestre", informou o MT.

Para Olivier Girard, sócio-diretor da Macroinfra, consultoria especializada em infraestrutura de transportes, o atraso não surpreende, porque o governo não tem o controle de diversos fatores externos que afetam os projetos ferroviários.

"Sabemos que há ferrovias novas na carteira, mas outras são antigas e terão de ser refeitas. A oferta desses trechos que estão sendo devolvidos precisa ter costuras bem-feitas para atrair novos investidores, senão podem ter um leilão vazio", diz Girard. "É melhor fazer o processo com calma e bem-feito, mesmo que atrase um pouco, do que colocar algo no mercado que não atraia ninguém e isso leve a mais dois, três anos de novos estudos".

Na arena das atuais concessões ferroviárias, o governo Lula tem conseguido avançar em uma série de acordos de renovação, inclusive revendo contratos assinadas na gestão Bolsonaro, mas considerados pouco vantajosos para a União e o próprio setor.

Os acordos envolvem as ferrovias operadas pela Vale, a EFC (Estrada de Ferro Carajás) e a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM); além de projetos da MRS, da Rumo e da VLI, que opera a FCA (Ferrovia Centro-Atlântica).

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