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Disputa por dinheiro do fundo eleitoral provoca troca de acusações no PSOL

Disputa por dinheiro do fundo eleitoral provoca troca de acusações no PSOL

Grupo de quatro parlamentares capitaneado por Erika Hilton diz que partido pretere candidaturas de homens e mulheres negros e que falta ‘inteligência política’ a dirigentes

Por Levy Teles/Estadão

23/06/2026 às 19:00

Atualizado em 23/06/2026 às 21:26

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Arquivo

Imagem de Disputa por dinheiro do fundo eleitoral provoca troca de acusações no PSOL

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP)

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), o deputado estadual por São Paulo Carlos Giannazi (PSOL), a deputada estadual pelo Rio Renata Souza e o vereador do Rio Rick Azevedo (PSOL) vieram a público nesta terça-feira, 23, para reclamar de ter suas candidaturas preteridas no repasse do fundo disponível ao PSOL para disputar as eleições deste ano.

Esse grupo de quatro parlamentares alega desproporcionalidade no repasse dos recursos. Segundo eles, o partido estaria dando preferência ao presidente da federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros e psolistas neófitos como Manuela d’Ávila. O grupo diz que o programa de fomento a candidaturas de mulheres, negros e pessoas com deficiência estaria sendo “desmontado” pela presidente do partido, Paula Coradi.

É um sentimento que também era compartilhado por outros psolistas nos bastidores. Coube ao grupo capitaneado por Hilton tornar pública a queixa.

“É um absurdo que a direção partidária feche os olhos para essa realidade. Hoje, Juliano Medeiros, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela D’Ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro”, escreveu Erika.

Ela disse que esse plano representa “o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios”. “A inteligência política passou longe. É uma tentativa de asfixiar quem está na linha de frente em detrimento de um perfil de pré-candidaturas bem específico, de grupos que só pensam em si mesmos e estão, mais uma vez, arriscando a viabilidade do PSOL”, afirmou a deputada.

Azevedo, aliado do Erika e principal mobilizador da pauta do fim da escala 6x1 no PSOL, reforçou os argumentos da deputada e cobrou transparência do diretório do partido. " É imperativo questionar os critérios de distribuição de recursos eleitorais, pois toda direção tem o direito de fazer escolhas, mas também o dever de assumi-las publicamente" disse.

Renata Souza afirmou que o partido está repetindo práticas de “legendas que instrumentalizam a pauta de gênero e raça para, no fim, fortalecer os homens brancos no poder”.

“O partido de Marielle Franco tem que ser exemplo! Não basta se dizer diverso e plural, é preciso ter uma prática política coerente e responsável com a representação popular. ⁠Que essa decisão seja reconsiderada, para que o PSOL não caia na vala comum dos partidos brasileiros, que nunca quiseram que nossa gente acessasse os espaços de poder", disse.

Já Giannazi pediu que a direção do partido reconsidere a distribuição dos recursos. “O PSOL enfrentará, neste ano, não apenas os adversários políticos e a extrema direita, mas também o desafio da cláusula de barreira. Diante desse cenário, é fundamental ter responsabilidade, planejamento e capacidade tática”, disse.

Não são apenas esses quatro que reclamam da distribuição do fundo eleitoral. Outros psolistas têm a mesma queixa, mas preferiram manter a discussão a nível interno.

Sob condição de reserva, psolistas disseram que o partido ainda está desorganizado em nível eleitoral em razão das divergências entre diferentes tendências políticas internas ou outras richas como a divisão entre o diretório do Rio de Janeiro e o de São Paulo, o que dificulta a capacidade de que o PSOL chegue a um consenso.

O maior temor desse grupo tem a ver com a cláusula de barreira, regra eleitoral brasileira que estabelece uma performance mínima de desempenho eleitoral nas eleições deste ano para assegurar que partidos possam ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na televisão.

Não é a primeira lavação de roupa suja que o grupo de Erika leva a público. No final de fevereiro, um grupo comandado por Erika e o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, veio a público defender a formação de uma federação com o PT para garantir que o partido sobreviva à cláusula de barreira.

Em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo no começo de março, o grupo de Boulos afirmou que, com o avanço do bolsonarismo, “não existe espaço para um projeto de simples demarcação ou para gastar nossas energias em disputas internas menores”. O grupo de Boulos acabou derrotado.

Em 2022, em federação com a Rede Sustentabilidade, o partido elegeu 14 deputados e conquistou mais um parlamentar para a bancada após a reversão de um resultado eleitoral no Amapá. Hoje, a federação tem 11 deputados do PSOL e quatro da Rede.

Em 2026, para vencer essa cláusula, os partidos precisarão ter ao menos 2,5% dos votos válidos distribuídos em pelo menos nove Estados, com um valor mínimo de 1,5% em cada um desses Estados, ou eleger 13 deputados federais, distribuídos em pelo menos nove Estados.

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