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Alcolumbre vê atuação do governo para pressioná-lo nas redes por votação da PEC 6x1

Alcolumbre vê atuação do governo para pressioná-lo nas redes por votação da PEC 6x1

Por Raphael Di Cunto/Folhapress

04/06/2026 às 06:35

Foto: Andressa Anholete/Arquivo/Agência Senado

Imagem de Alcolumbre vê atuação do governo para pressioná-lo nas redes por votação da PEC 6x1

Davi Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se queixou a aliados sobre o que considera uma estratégia do governo Lula (PT) para acuá-lo e forçá-lo a colocar em votação rapidamente a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6x1. Ele afirmou, no entanto, que não agirá sobre pressão e que permitirá que os senadores debatam a matéria sem açodamento.

Alcolumbre identificou dedo do governo e da esquerda nos ataques que passou a receber nas redes sociais por causa da PEC. A esses interlocutores, afirmou que o Executivo quer uma votação expressa e que o Senado apenas carimbe o que a Câmara fez, mas ressaltou que este não é o perfil dos senadores e que os deputados tiveram mais de cinco meses para analisarem as consequências e definirem um texto.

Procurada no fim da tarde desta quarta-feira (3), a Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência não comentou até a publicação dessa reportagem.

Dois aliados do senador dizem que ele já reclamou em conversas reservadas sobre o momento de debate dessa proposta, que considera inadequado por causa do período eleitoral, o que cercearia a discussão. Por outro lado, reconheceu que o caráter popular da medida e que dificilmente o Senado segurará a votação se os empresários não convencerem a população sobre possíveis consequências negativas para o país.

Nesta terça (2), durante a sessão, o presidente do Senado contrariou o governo ao dizer que não levará a PEC diretamente ao plenário e que o texto vai passar pelo menos pela Comissão de Constituição e Justiça. "Essa é a minha percepção. Ela não é a favor nem é contra. Ela é a favor do debate, do diálogo, da construção, do entendimento", disse.

Segundo ele, a Casa deve ter "tempo razoável para se desobrigar de um debate com essa envergadura e com essa magnitude, para que [os senadores] possam ler e interpretar o texto, ouvir os setores envolvidos, ouvir os trabalhadores, ouvir quem produz neste país, ouvir quem emprega, ouvir a classe operária".

A declaração ocorreu após ele receber uma comitiva de empresários liderada pela Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), no dia anterior à votação pela Câmara. No encontro, o presidente do Senado afirmou que é alvo de ataques de ambos os lados e que daria andamento à proposta, mas com um diálogo "adequado e sem açodamento".

Dois representantes das empresas que participaram da reunião dizem que o grupo saiu do encontro com uma missão: ampliar a divulgação de que a PEC provocará um possível aumento dos preços de produtos e serviços para virar a opinião pública, hoje majoritariamente favorável ao fim da escala 6x1.

Só com essa mudança de perspectiva na sociedade, afirmam esses empresários, será possível dar conforto para que os senadores votem contra a proposta ou travem a discussão para até depois das eleições, período em que ficarão menos suscetíveis à pressão dos eleitores.

Para ser aprovada, a PEC depende do apoio de 49 dos 81 senadores em dois turnos de votações. Se o Senado modificar o texto, ele volta à Câmara para nova análise.

Alcolumbre, de acordo com aliados, está irritado com a estratégia do governo de pressioná-lo por meio de mobilização popular a colocar a PEC rapidamente em votação, o que replicaria o slogan adotado no ano passado, de que o Congresso "é inimigo do povo". O ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), José Guimarães, chegou a defender em entrevistas que o texto deveria ir direto ao plenário.

Militantes, políticos e partidos de esquerda, além de sindicatos, têm se mobilizado nas redes para cobrar dos senadores o voto favorável à PEC que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e garante duas folgas semanais remuneradas, uma delas preferencialmente aos domingos.

A CUT (Central Única dos Trabalhadores), por exemplo, lançou um site com as redes sociais e número de celular de cada senador de oposição que assinou a PEC para o pagamento por hora trabalhada. Ao clicar no link, uma mensagem automática é sugerida. "Votar SIM, é um ato de respeito e reconhecimento ao povo trabalhador!", diz um trecho do texto de três parágrafos.

Governistas desconfiam que o presidente do Senado tentará atrapalhar os planos de votar a PEC antes da eleição, mas ainda não sabem o motivo por trás desse movimento. Parte deles afirma que o governo terá que ceder mais cargos e recursos para convencê-lo, e outro grupo suspeita de uma manobra para se aproximar ainda mais da oposição em busca de apoio para se reeleger à presidência em 2027.

Eles apontam que Alcolumbre não despachou a PEC do fim da escala 6x1 para a Comissão de Constituição e Justiça, mesmo passada uma semana de sua aprovação na Câmara, mas que atendeu a oposição e encaminhou a PEC do pagamento de salário por hora para a comissão no mesmo dia em que foi protocolada.

A relação dele com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está estremecida desde a indicação e a rejeição de Jorge Messias para ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Alcolumbre desejava emplacar na vaga o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), seu aliado e antecessor na presidência.

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