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Zema tem dificuldades em MG e é pressionado pelo PL a desistir para ajudar sucessor no Estado
Zema tem dificuldades em MG e é pressionado pelo PL a desistir para ajudar sucessor no Estado
Ex-governador protagonizou debate eleitoral nas últimas semanas, mas ainda está distante de Lula e Flávio entre o eleitorado mineiro
Por Pedro Augusto Figueiredo/Estadão
10/05/2026 às 16:30
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República
O ex-governador Romeu Zema (Novo) tem viajado pelo País para se apresentar ao eleitorado, mas, a poucos meses do pleito, enfrenta um problema que dificulta o crescimento de sua candidatura: o desempenho nas pesquisas de primeiro turno em Minas Gerais, Estado que governou nos últimos sete anos e segundo maior colégio eleitoral.
De acordo com pesquisa Genial/Quaest, ele tem 11% das intenções de voto entre os mineiros no primeiro turno presidencial, distante dos 27% do senador Flávio Bolsonaro (PL) e dos 32% registrados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A situação contrasta com a de Ronaldo Caiado (PSD), o outro presidenciável que deixou a gestão estadual para tentar o Palácio do Planalto. Em Goiás, Caiado tem 31%, ganhando de Lula, com 20%, e no limite da margem de erro de três pontos percentuais em relação à Flávio, que tem 25%.
“O Caiado não tem falado do STF. A gente está falando a verdade o tempo inteiro, isso incomoda, vai ter gente que não quer que fale”, disse Christopher Laguna, presidente do Novo em Minas Gerais, que tem acompanhado Zema em viagens pelo País. Procurada a se manifestar, a pré-campanha do ex-governador indicou Laguna para falar.
O presidente do Novo em Minas aponta também que Goiás é um Estado homogêneo culturalmente, ao contrário de Minas, o que torna mais complexa a tarefa do ex-governador mineiro. “O que vale para nós é a nível de Brasil. E Zema está bem, numa crescente”, continuou ele.
CEO da Quaest, o cientista político Felipe Nunes avalia que a “baixa largada” em Minas hoje é um dos principais calcanhares de Aquiles do pré-candidato do Novo, mas que isso não inviabiliza necessariamente a candidatura. No entanto, ele alerta: “Para uma candidatura que tenta se apresentar como alternativa nacional, é muito difícil não demonstrar força expressiva no próprio Estado”.
O cientista político aponta que a dificuldade de Zema em Minas é uma combinação de três fatores. O primeiro é que a aprovação de seu governo não se converte automaticamente em voto – o ex-governador deixou o cargo em março com o índice de aprovação em queda, mas ainda em 52%. Os outros dois são o desgaste de fim de ciclo e a polarização nacional.
Em uma simulação de segundo turno da Genial/Quaest, Zema aparece com 38%, numericamente à frente de Lula, que tem 37%. “Isso indica que o problema dele não é apenas rejeição local. É também dificuldade de se posicionar no primeiro turno, espremido pela polarização Lula versus Flávio”, disse Nunes.
Um caminho para compensar esse cenário, segundo Felipe Nunes, seria se viabilizar como uma alternativa nacional. Aqui, no entanto, a pré-campanha de Zema esbarra em outro obstáculo: o desconhecimento do eleitorado. No Nordeste, mais de 70% dos eleitores na Bahia, em Pernambuco e no Ceará responderam à Quaest que não conhecem o mineiro, índice que é de 56% em São Paulo, 60% no Rio de Janeiro, 61% no Paraná e 64% no Rio Grande do Sul.
O foco de Zema, neste momento, é justamente se tornar mais conhecido. Além das viagens, que por enquanto estão concentradas no Sul e Sudeste, ele tem se esforçado para viralizar nas redes sociais e subiu o tom das críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Zema conseguiu ficar em evidência no debate eleitoral e nas redes sociais nas últimas semanas, especialmente após a série de vídeos sobre os “intocáveis” e a discussão pública com o ministro do STF Gilmar Mendes. Até o momento, porém, o protagonismo não se traduziu no crescimento das intenções de voto nas pesquisas – ele tem 3% na última Genial/Quaest e 3,1% na Atlas/Bloomberg.
Desafios para emplacar sucessor
Romeu Zema também enfrenta um cenário adverso para eleger seu sucessor, seu antigo vice e agora governador Mateus Simões (PSD), para o Palácio Tiradentes. Assim como o padrinho, Simões ainda não deslanchou nas pesquisas – varia de 3% a 5%, a depender do cenário testado pela Genial/Quaest.
O embate com Gilmar diminuiu a pressão no Novo para que Zema fosse vice de Flávio. A pressão externa, contudo, permanece. Na última semana, o presidente do PL em Minas, Domingos Sávio, condicionou o apoio do partido a Simões à desistência de Zema da disputa presidencial. “Se o governador Zema entender que pode apoiar no primeiro turno o Flávio Bolsonaro, a equação está resolvida”, disse ele em entrevista à rádio Bandnews.
Segundo Sávio, caso contrário, ele trabalha com duas alternativas: apoiar o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera a pesquisa Genial/Quaest com 30% ou mais das intenções de voto, ou lançar candidato próprio – o mais cotado é Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).
A cúpula do PL mineiro se reuniu com Flávio nesta semana para discutir a tática do partido em Minas, mas nenhuma decisão foi tomada. Um dos motivos teria sido a ausência de Nikolas Ferreira (PL). Um novo encontro foi marcado para a próxima terça-feira, 12, com a presença do deputado federal.
Ao jornal O Estado de São Paulo, Mateus Simões rechaçou pressionar por uma desistência de Zema para ajudá-lo. “Jamais pediria ao ex-governador Romeu Zema que faça isso. Se ele decidir pela unificação das candidaturas, obviamente, será positivo para a solução em Minas, mas o tema Brasil é maior do que isso”, afirmou ele.
O vice-governador vê margem para a unificação da direita em Minas mesmo com a manutenção da candidatura de Zema e de Flávio. Ele também minimizou os resultados da pesquisa neste momento.
“A pesquisa Quaest mostra que 80% dos eleitores ainda não decidiram o seu voto para governador – não sabem quem são os candidatos e não consolidaram sua opção”, disse ele, o que acaba favorecendo nomes que já disputaram outras eleições.
A projeção dele é que somente a partir de agosto as pessoas passarão a olhar a eleição estadual. “A decisão sobre continuar a boa gestão ou entregar o governo a um aventureiro passa a receber mais atenção. Para quem está no cargo, como eu, resta trabalhar”, concluiu o atual governador de Minas Gerais.
