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Zema reforça aceno a eleitorado bolsonarista a partir de operação da PF contra Ciro Nogueira

Zema reforça aceno a eleitorado bolsonarista a partir de operação da PF contra Ciro Nogueira

Auxiliares de Flávio ponderam sobre ter mineiro na vice a partir de espaço na direita e posições radicais

Por Carolina Linhares/Folhapress

09/05/2026 às 07:40

Atualizado em 09/05/2026 às 11:26

Foto: Gil Leonardi/Divulgação/Governo de MG/Arquivo

Imagem de Zema reforça aceno a eleitorado bolsonarista a partir de operação da PF contra Ciro Nogueira

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato do partido Novo à Presidência

Em busca de espaço para se cacifar na direita, Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato do partido Novo à Presidência, aproveitou a operação da Polícia Federal a respeito do Banco Master que mirou o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), para reforçar seu discurso antissistema e conquistar eleitores mais radicais.

A estratégia, que inclui chamar políticos de Brasília e ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de intocáveis, busca tanto ampliar o espaço no eleitorado bolsonarista como viabilizá-lo como vice de Flávio Bolsonaro (PL), embora aliados do senador tenham dúvidas sobre a aliança.

Ao protagonizar embates com o STF e dar declarações polêmicas, como a favorável ao trabalho infantil, Zema tem se diferenciado de Flávio, que busca um discurso de moderação para evitar a rejeição ligada ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Eu tenho sido o pré-candidato que mais tem colocado a boca no trombone, eu não tenho rabo preso", disse Zema na quinta-feira (7), após a operação.

O alvo da crítica do ex-governador é o presidente Lula (PT), a quem chama de omisso na crise do Master, mas a fala acaba atingindo também os adversários do mesmo campo da direita.

Entre as principais suspeitas da PF estão a de que Ciro Nogueira, que foi ministro da Casa Civil na gestão Bolsonaro, recebia quantias repassadas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, dono do Master. Além disso, de acordo com as investigações, haveria o pagamento de outras despesas pessoais do parlamentar, como viagens de jatinho.

Em vídeos divulgados em suas redes após a operação, Zema reforçou a pauta anticorrupção e diz que o tema vai influenciar as eleições de outubro. Ele não menciona o nome de Ciro Nogueira, mas exibe uma foto dele e de Vorcaro enquanto fala de "políticos vendidos", "raposas velhas que só querem te roubar" e "safados" que acobertam as fraudes do Master.

Aliados de Flávio se dividem em relação a ter Zema como vice na chapa —o mineiro diz que manterá sua candidatura até o fim, mas a chapa com o PL é defendida por parte dos aliados de ambos os lados. O outro nome cogitado para a vice, o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), sofreu um abalo por causa da operação contra o presidente do PP, mas não está descartado.

A crítica a Ciro nas redes também serviu para contrapor Zema à possível aliança de Flávio com o PP. O principal articulador político do ex-governador em Minas Gerais, no entanto, é integrante do PP, o ex-deputado e pré-candidato ao Senado Marcelo Aro.

Auxiliares de Flávio afirmam que ter Zema na vaga de vice seria importante para conquistar votos em Minas Gerais, estado considerado decisivo em eleições presidenciais. Por outro lado, há dúvidas sobre a capacidade do ex-governador de transferir votos a aliados.

Pesquisa Genial/Quaest sobre o Governo de Minas Gerais divulgada na semana passada mostra o candidato de Zema, o atual governador Mateus Simões (PSD), que foi seu vice, com 4%, atrás de Cleitinho (Republicanos, 30%), Alexandre Kalil (PDT, 14%) e Rodrigo Pacheco (PSB, 8%).

Além disso, a chapa com Zema poderia atrapalhar o palanque de Flávio em Minas, ainda segundo parte dos seus aliados. Enquanto o senador ainda busca um candidato que o represente no Estado, Zema está comprometido com Simões, que por sua vez é do partido do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), o que levaria Flávio a ter um palanque dividido.

Outro ponto negativo levantado por integrantes da equipe de Flávio é o fato de Zema se engajar em embates com o STF, o que iria contra o esforço do filho de Bolsonaro de amenizar sua imagem.

Esse ponto também é dúbio no entorno do senador. Com 75% dos brasileiros considerando que os ministros do STF têm poder demais, segundo o Datafolha, o fato de Zema ter protagonizado o confronto com a corte é visto por uma ala como uma qualidade que o credencia para a vice.

Um cacique da federação União Progressista (União Brasil-PP) afirma que Zema puxou para si a pauta do enfrentamento à corte, que será um dos temas mais importantes da eleição. Ele prevê que a imagem do tribunal tende a piorar nos próximos meses e que o ex-governador de Minas Gerais conseguiu capitalizar o tema junto à opinião pública.

Pressionado pelos adversários da direita e pelo PT, cuja tática é ligar o Master ao bolsonarismo, Flávio se reposicionou em relação à operação que atingiu Ciro Nogueira. Sua primeira manifestação pública buscava distanciamento —não mencionava o presidente do PP e apenas defendia as investigações.

Já em vídeos publicados mais tarde em suas redes, o senador cobrou a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o Banco Master e voltou suas críticas ao PT.

No último dia 22, durante uma entrevista à imprensa na Câmara dos Deputados em que afirmou que o STF é incendiário, Zema foi tratado, de forma amistosa, como candidato a vice por parlamentares do PL. Na ocasião, o ex-governador afirmou que se manterá na disputa e que os candidatos da direita estarão juntos no segundo turno.

"O próprio Bolsonaro disse que quanto mais candidatos a direita tiver, melhor. [...] Até hoje não teve pedido formal de ninguém pra ninguém, de ser vice, mas eu tenho certeza de que a direita tem bons candidatos e nós estaremos todos juntos no segundo turno", disse.

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