Pesquisa aponta que 11% dos jovens brasileiros apostaram em bets em 2025
Maior número de apostadores é de meninos entre 16 e 17 anos, respondendo a 20% dos adolescentes questionados
Por Leticia Fernandes/Estadão
09/05/2026 às 09:20
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil/Arquivo
Site de apostas
As apostas online, conhecidas como bets, já chegaram ao público jovem e adolescente. Um levantamento feito pela Ipsos, encomendado pela plataforma de verificação de identidade Unico, mostra que 11% dos jovens brasileiros apostaram em bets em 2025, sendo 9% deles nos últimos 4 meses do ano.
O maior número de apostadores está entre meninos na faixa etária de 16 e 17 anos: 20% desses adolescentes já fizeram apostas online, segundo dados obtidos pela Coluna do Estadão.
Já entre as meninas o maior crescimento foi entre jovens de 14 e 15 anos, faixa em que o acesso a essas apostas foi de 14%, mais que o triplo das meninas entre 10 e 13 anos, mas onde 4% afirmaram já ter feito apostas em bets ou jogos como o ‘tigrinho’.
“O principal desafio hoje é que grande parte da internet ainda opera sob mecanismos frágeis de verificação etária, baseados apenas em autodeclaração. Na prática, basta clicar em um botão dizendo ‘sou maior de 18 anos’ para acessar diferentes tipos de conteúdo ou serviço”, disse à Coluna Luis Felipe Monteiro, CEO na América Latina da Unico.
Curiosidade é principal motivo para apostas
De acordo com o levantamento da Ipsos, a curiosidade é o principal fator que leva ao contato com as apostas (41%), seguido pela possibilidade de ganhar dinheiro fácil (34%). Influenciadores digitais e mídia aparecem como tendo peso menor na decisão de apostar, com apenas 9%.
O levantamento ouviu 1.200 jovens entre 10 e 17 anos entre 21 de agosto e 1º de setembro de 2025.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, que entrou em vigor em 17 de março, pode reduzir possíveis riscos à saúde entre os jovens, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Um dos principais destaques da lei em relação à saúde é a proteção contra o vício. O texto diz que as plataformas devem “implementar mecanismos para evitar o uso excessivo, problemático ou compulsivo”.
