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Mais pobres se endividam por necessidade, não por consumismo, diz pesquisa

Mais pobres se endividam por necessidade, não por consumismo, diz pesquisa

Por Diego Alejandro/Folhapress

04/05/2026 às 07:25

Foto: Marcelo Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

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A perda de emprego também aparece com mais força na base da pirâmide

Uma pesquisa do instituto Nexus, encomendada pelo BTG Pactual, indica que o endividamento entre brasileiros de menor renda está diretamente ligado a despesas essenciais e choques de renda, como desemprego e gastos com saúde —e não ao consumo supérfluo.

Segundo o levantamento, entre quem ganha até um salário mínimo, 41% apontam despesas com saúde como motivo para se endividar, percentual bem acima da média nacional, de 32%. O peso desse fator diminui conforme a renda aumenta: 37% entre quem recebe de um a dois salários mínimos, 30% na faixa de dois a cinco salários e apenas 19% entre os que ganham mais de cinco salários mínimos.

A perda de emprego também aparece com mais força na base da pirâmide. Para 22% dos entrevistados com renda de até um salário mínimo, o desemprego —próprio ou de alguém da família— levou ao endividamento, ante média geral de 13%.

Já os gastos cotidianos, como alimentação e contas fixas, seguem como o principal fator de endividamento em todas as faixas de renda, citados por 50% dos brasileiros.

Entre os mais ricos, no entanto, o perfil da dívida muda. Após as despesas do dia a dia (49%), o principal motivo passa a ser o consumo financiado: 35% dos entrevistados com renda acima de cinco salários mínimos mencionam compras parceladas ou financiamentos como origem das dívidas. Em seguida aparece a queda de renda mensal (20%).

"O brasileiro de menor renda se endivida por despesas que não pode evitar, muitas vezes recorrentes, o que dificulta a quitação e faz a dívida crescer ao longo do tempo", afirma Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.

A pesquisa ouviu 2.028 pessoas por telefone entre os dias 24 e 26 de abril e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01075/2026.

Os dados surgem em um momento de aumento do comprometimento da renda de brasileiros com débitos. E da tentativa do governo, com o Desenrola 2.0, de minimizar o problema.

Segundo o Banco Central, o nível de endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% da renda em fevereiro, igualando o recorde histórico da série iniciada em 2005. O comprometimento da renda com dívidas também bateu nova máxima, chegando a 29,7%.

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