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Lula não deveria ter jogado gasolina na fogueira do caso Enel, diz especialista

Lula não deveria ter jogado gasolina na fogueira do caso Enel, diz especialista

Fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires pede que discussão sobre empresa seja técnica

Por Alex Sabino/Folhapress

09/05/2026 às 18:45

Foto: Luís Macedo/Câmara dos Deputados/Arquivo

Imagem de Lula não deveria ter jogado gasolina na fogueira do caso Enel, diz especialista

Adriano Pires, sócio-fundador do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura)

No discurso do presidente Lula na sexta (8), a Enel foi usada como bode expiatório para uma questão cada vez mais politizada, acredita Adriano Pires, sócio-fundador do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).

O governo realizou cerimônia para assinar a renovação antecipada de 14 concessões de energia. Lula afirmou que a multinacional não cumpriu nada do que havia prometido a ele e à primeira-ministra italiana, país de origem da companhia.

"Esse discurso do presidente não era para tanto. Não era o momento para jogar gasolina na fogueira", afirma Pires.

Em São Paulo, a concessionária passa por processo de caducidade da concessão, em análise pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). No Rio de Janeiro, o contrato foi analisado pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que não viu qualquer irregularidade que impedisse a renovação por mais 30 anos. Mas a atuação no estado é alvo de críticas e denúncias de fraudes, negadas pela empresa.

O caso mais crítico é na capital paulista e região metropolitana, após crises e apagões que deterioraram a relação com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

"A Enel teve duas coincidências muito ruins", completa Pires, falando sobre apagões que expuseram falhas na operação em momentos eleitorais na capital e no Estado.

"A empresa tem uma comunicação ruim com o consumidor dela em São Paulo e a relação institucional com a prefeitura não é boa. Concessão pública é um apartamento alugado. Você precisa ter uma relação muito boa com o dono do imóvel", analisa o especialista.

Ele afirma que Lula tratou o evento desta sexta como um palanque eleitoral sobre um assunto que necessitaria cautela técnica.

"O risco é que isso gere insegurança jurídica e incerteza regulatória".

Para combater a percepção de ineficiência, a Enel Brasil tem divulgado melhorias em indicadores operacionais, investimentos e a obtenção de financiamento de cerca de R$ 10 bilhões da Enel Américas.

"A gente está vendo de maneira muito clara um encaminhamento político da questão. O processo deveria ser blindado de interferências políticas. Se não estivesse em ano de eleição, a discussão seria outra", acredita o especialista.

Ele defende também que a discussão seja aprofundada sobre os modelos dos contratos de concessão de energia. Existem, afirma, perda de receita, mudanças climáticas, relação com prefeituras e inadimplência de consumidores. Tudo isso poderia servir na remodelação de um eventual novo contrato da Enel ou com qualquer outra empresa".

A discussão não deveria ser tirar a Enel. As concessões estão passando por uma mudança enorme", finaliza.

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