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Governo Lula já contabiliza ganho político mesmo que Congresso não aprove fim da 6x1
Governo Lula já contabiliza ganho político mesmo que Congresso não aprove fim da 6x1
Por Caio Spechoto e Augusto Tenório/Folhapress
26/05/2026 às 06:31
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Arquivo/Agência Brasil
Lula
A cúpula do governo avalia que o presidente Lula (PT) terá uma vitória política com a discussão sobre o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso mesmo que o projeto não seja aprovado pelo Congresso.
A análise dos governistas é que a proposta deverá ser aprovada na Câmara agora que o petista chegou a um acordo com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e que haverá desgaste político para quem se contrapuser ao projeto. Há dúvida em relação futuro do projeto no Senado, onde empresários e oposição tentam brecar o avanço do texto.
Lula planeja ter o fim da escala 6x1 como marca de seu governo e fazer do tema um dos principais de sua campanha de reeleição. O presidente e seu entorno querem a proposta aprovada o mais rápido possível. A avaliação na cúpula do governo é que há uma maioria na opinião pública em favor da pauta, e que essa oportunidade de implementar uma ideia cara à esquerda política não pode ser perdida.
Aliados de Lula avaliam, porém, que mesmo que o petista seja derrotado em uma votação sobre o assunto no Congresso, o debate sobre o fim da escala 6x1 já deu uma vitória política ao presidente da República.
O raciocínio é que o petista conseguiu incorporar ao seu discurso uma pauta de esquerda que tem amplo apoio social. Como mostrou pesquisa Datafolha divulgada em março, 71% do eleitorado apoia a redução da jornada de trabalho.
Caso seja derrotado nas votações do Congresso sobre o tema, Lula poderá dizer na campanha eleitoral que defende os trabalhadores e seus adversários, não. Seria uma forma de o petista reforçar o discurso antissistema que está elaborando para a disputa eleitoral.
Além disso, como há ampla maioria na população a favor da redução da jornada, congressistas que se colocarem contra o projeto tendem a sofrer desgaste junto à opinião pública. Essa situação deverá inibir votos contrários nas discussões, na avaliação dos articuladores políticos do governo.
A forma como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), lidará com o texto, é imprevisível. A relação do chefe do Legislativo com o Planalto está ruim desde a rejeição de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal), em abril.
Até o momento, Alcolumbre tem mantido segredo sobre como lidará com o fim da escala 6x1 quando ela chegar ao Senado. Espera-se que a Câmara aprove o texto nesta quinta-feira (28). Como mostrou a Folha, empresários procuraram o chefe do Legislativo em busca de alterações, principalmente sobre o período de transição para a redução de jornada.
O chefe do governo e diversos de seus aliados demonstram, nos bastidores, incômodo com o fato de os programas sociais do Executivo não tenham sido suficientes para impulsionar a popularidade de Lula. A avaliação é que o eleitorado já enxerga benefícios como o Bolsa Família como garantidos independentemente do governo petista.
O fim da escala 6x1 se encaixa em uma ideia alimentada pelo presidente, a de que é necessário encampar propostas que vão além dos programas sociais, apresentando ao eleitorado algo diferente do que já é esperado de gestões petistas.
Os governistas preveem desgaste especialmente em relação a senadores, que precisam de votos de públicos amplos em seus estados para se reeleger. Dois terços das vagas no Senado estarão em disputa em outubro.
Nesta segunda-feira (25), Lula se reuniu com Hugo Motta para discutir o andamento da PEC (proposta de emenda à Constituição) sobre o tema. Depois da conversa, ele anunciou um acordo a jornalistas ao lado dos ministros José Guimarães (Relações Institucionais) e Luiz Marinho (Trabalho), ambos do PT.
A proposta prevê o fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso, estabelecendo dois dias de folga por semana, em 60 dias depois da promulgação da PEC. Nesse prazo o limite da jornada semanal também passará de 44 horas para 42 horas.
A proposta também deverá determinar nova redução da jornada semanal, de 42 horas para 40 horas, 12 meses depois. A vontade do governo era que o projeto entrasse em vigor com uma transição que durasse no máximo poucos meses, mas aceitou uma entrada em vigor gradual do projeto para facilitar a tramitação.
