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Flávio se encontra com Trump e diz ter pedido para ele classificar PCC e CV como terroristas
Flávio se encontra com Trump e diz ter pedido para ele classificar PCC e CV como terroristas
Foto deles foi divulgada por aliados do pré-candidato à Presidência do PL
Por Mônica Bergamo/Diego Alejandro/Folhapress
26/05/2026 às 18:30
Atualizado em 26/05/2026 às 19:20
Foto: Arquivo pessoal
O senador Flávio Bolsonaro se reuniu com o presidente dos EUA, Donald Trump, nesta terça-feira (26)
O senador Flávio Bolsonaro (PL) se encontrou nesta terça-feira (26) com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca.
Ele afirmou em entrevista coletiva ter pedido a Trump para que as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) sejam classificadas pelo governo americano como terroristas.
Questionado se a designação não abriria brecha para os EUA interferirem no Brasil, ele negou e voltou a criticar o governo Lula.
Segundo Flávio, o convite para o encontro partiu da própria Casa Branca. Ele afirma que recebeu um email sendo convidado para uma agenda com Trump, sem detalhes sobre o escopo da conversa, que ocorre em meio à crise na pré-campanha dele à Presidência devido ao caso "Dark Horse".
O senador negou que o encontro nos EUA visasse ofuscar o desgaste com a revelação do pedido de dinheiro feito por ele a Daniel Vorcaro, do Banco Master, e afirmou ser favorável à abertura de CPI sobre o caso.
Flávio também negou que tenha tido qualquer pedido a Trump de endosso à sua candidatura.
Imagens foram divulgadas depois do encontro por aliados do pré-candidato à Presidência do PL. Em uma delas, Trump aparece sentado ao lado de Flávio. Em outra, posam juntos o empresário bolsonarista Paulo Figueiredo e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Figueiredo disse que a comitiva entregou mais de dez camisas de futebol do Brasil para Trump e familiares dele, em um encontro de cerca de uma hora e 40 minutos.
Segundo a coluna de Mônica Bergamo, a primeira pergunta de Trump foi "como está o seu pai", em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O governo dos EUA não havia confirmado oficialmente nenhuma reunião de Trump com Flávio.
Mais cedo, Flávio havia divulgado que estava a caminho da Casa Branca, local de trabalho do presidente dos EUA, e depois publicado vídeo em rede social dizendo que estava entrando para ter uma "conversa muito bacana", mas sem revelar com quem ("daqui a pouquinho vocês vão saber", afirmou).
O pré-candidato do PL à Presidência chegou em Washington na segunda-feira (25) e está hospedado no hotel cuja diária custa a partir de US$ 500 (cerca de R$ 2.500).
Figueiredo afirmou que Flávio estava na cidade para uma série de reuniões e que um dos principais temas apresentados era o pedido para que o CV e o PCC fossem classificados pelos EUA como "organizações terroristas estrangeiras".
Ele disse que já existe documentação entregue às autoridades americanas e afirmou que o grupo de políticos, que inclui Eduardo Bolsonaro, tenta "reverter" uma suposta atuação do Lula (PT) sobre o tema.
Lula esteve nos EUA com Trump há três semanas. Ele afirmou que a designação de facções como terroristas não esteve presente no encontro entre eles em 7 de maio, mas que foi apresentada uma proposta de cooperação entre os EUA e Brasil para combate ao crime organizado.
Embora incomum, esta não é a primeira vez que Trump recebe na Casa Branca um político estrangeiro que não ocupa o cargo de chefe de Estado.
No ano passado, o republicano recebeu Karol Nawrocki, então candidato à Presidência da Polônia, antes do primeiro turno da eleição no país. Após o encontro, Nawrocki afirmou que Trump lhe disse: "Você vai ganhar". A reunião provocou críticas na Polônia e acusações de interferência americana no processo eleitoral.
O encontro realizado neste mês de Trump com Lula na Casa Branca durou três horas e, segundo relatos de ambos os governos, teve saldo positivo. Foram discutidas tarifas comerciais, criada uma mesa de trabalho bilateral e apresentada, pelo Brasil, uma proposta de cooperação na área de segurança pública.
Após a visita, Lula afirmou não acreditar em uma interferência de Trump no processo eleitoral brasileiro e confiar no respeito mútuo entre os dois países nesse tema.
Crise do 'Dark Horse'
O encontro entre Flávio e Trump foi alimentado por aliados de Flávio em meio a um momento delicado da pré-campanha do PL.
Como revelou o site The Intercept Brasil, Flávio pediu recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O empresário chegou a investir R$ 61 milhões na produção. Desde então, o senador tenta conter os danos políticos do episódio e enfrenta uma crise de confiança entre aliados.
Na primeira pesquisa Datafolha divulgada após a repercussão do caso, Lula ampliou de 3 para 9 pontos percentuais sua vantagem sobre Flávio em uma simulação de primeiro turno: 40% a 31%.
